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terça-feira, 19 de julho de 2011

Terrorista - 2

- Então, você se apaixonou por um programa de computador? - a voz era sarcástica, debochada. O rosto era comum, sem personalidade, apenas um avatar padrão. Típico de um investigador.

- Não precisa ser tão duro com ela. Mary não tinha como saber - A voz grave de Tanho combinava com o gigante musculoso de dois metros e dez e pele negra. O mais incrível é que aquele era seu físico real. Sua aparência, porém, escondia um homem gentil e sensível, que estava verdadeiramente preocupado com sua amiga.

- Obrigada - a voz de Mary quase um sussurro. A cabeça baixa, os olhos fixos no chão.

- Ainda é cedo para dizer que ela é inocente em toda esta situação. Primeiro temos que entender como a criatura escapou.

- O nome dela é Ana - Mary fala em uma voz ainda mais baixa, e então se silencia.

Os três estavam sozinhos, em uma sala de investigação. Apenas a mesa, cadeiras e paredes estavam mapeados, em uma cor branca e sem detalhes.

Mary estava ali há mais de uma hora, desde que terminou seu encontro com Ana.

- Mary, isto é realmente importante. - A voz de Tanho gentil, pausada - como você acha que ela pode ter escapado? Estávamos vigiando todo o tempo.

- Eu não sei. Ela apenas se levantou e saiu de nossa cabine, no restaurante. Mas vocês estão me dizendo que ela sumiu do rastreamento.

- Diga-me - a voz inquisidora do investigador adquirindo um novo ritmo. Seu rosto adquirindo uma nova vivacidade. - Você é a melhor navegadora que temos. Se você tivesse que escapar do rastreamento, como ela fez. Você conseguiria?

Mary parece hesitar por um instante - Já conversamos sobre isto. Entre nós navegadores, quero dizer. O rastreamento é uma das funções do código operacional da rede, é impossível gerar uma presença sem rastreamento. Mas alguns acreditam que é possível criar desvios de fluxo, jogar uma presença em outro ponto da rede sem referênciar o ponto anterior, confundindo o rastreamento.

- E sendo esta Ana apenas um programa, isto seria fácil para ela?

- Não sei se faria diferença. Ela teria que ter um nexo do mesmo jeito que nós, apenas não haveria um corpo físico neste nexo, obviamente. Mas suponho que se ela não soubesse escapar do rastreamento, vocês já teriam pego ela há muito tempo.

- E isto me leva a outro ponto que gostaria de esclarecer. Você imaginava que iriam poder ficar juntas, se ela se entregasse. Mas sendo ela apenas um programa, isto não iria acontecer. Se conseguíssemos pegá-la, você nunca mais a veria.

- Ela é apenas um programa de computador. Quando pedi que deixassem ela comigo, achei que era uma pessoa.

- Sabe - O rosto do investigador naturalmente não mostrava nenhuma emoção, mas sua voz era suficiente para transmitir uma idéia de um interesse aguçado, como se ele estivesse quase completando um quebra-cabeça. - todo o tempo estive pensando nisto, e esta é a parte da história que ainda não me convenceu.

- Como assim?

- Você disse que ela revelou que era apenas um programa, se levantou, e foi embora, correto?

- Sim.

- Ela não se despediu, não pediu desculpas, você não a perdoou, não marcaram de se ver novamente, não disseram nada. Ela apenas saiu e você não disse uma palavra?

- Sim.

- Pelo que vi de seu perfil, você nunca se apaixonou antes. Mais que isto, você não teve nenhuma proximidade com ninguém, antes dela. Quando descobriu que ela era um ser artificial, este sentimento simplesmente sumiu? E você nem falou nada, e deixou ela ir.

- Não sei. O que quer que eu diga.

- Eu acho que ela não se levantou simplesmente e foi embora. Eu acho que vocês continuaram conversando. Talvez, mesmo, tenham marcado de se encontrar novamente. Não é verdade?

Mary permanece em silêncio.

O investigador se vira para Tanho. - Mande uma equipe de contenção para a casa dela. Quero ela sob custódia em dez minutos. - Ele olha para Mary - Mesmo que você também possa escapar do rastreamento, diferente do vírus, você tem um corpo físico. Saberemos nas próximas horas se você escondeu alguma coisa e, principalmente, o que vocês realmente conversaram.

Os minutos passam, Mary em silêncio, imóvel.

- Senhor Silva - a voz de Tanho pela primeira vez hesitante, os olhos no horizonte, ouvindo uma transmissão recém recebida, direto para ele - Ela não está em casa. Todos os registros e dados da casa foram apagados, uma hora atrás.

- Impossível, seu avatar esteve aqui o tempo todo. Só temos nossas três ligações nesta sala, e a dela está fixa em sua casa.

- Bom, senhores - Mary se levanta. Pela primeira vez, sua voz está tranquila, e ela olha nos olhos de seu interrogador - receio que não há sentido em eu continuar aqui. Se me dão licença, é hora de eu ir.

- Mary, você não vai a lugar algum. Não sei que truque você fez, mas vamos manter seu avatar preso até localizar seu físico.

- Ela não é a Mary. - Tanho falou, quase por impulso, e no instante que disse, soube instintivamente que tinha razão.

- Mary sempre me disse que você era muito perspicaz. - A voz dela já em um novo timbre, o rosto começando a se transformar.

- Não foi o vírus que sumiu do rastreamento. Foi Mary. Enquanto perdíamos tempo aqui, ela estava fugindo de sua casa e certamente apagando seu rastro. Todo este tempo o vírus estava ganhando tempo para ela.

Ela sorri, enquanto vai ficando transparente, até se tornar invisível - Por favor, meu nome é Ana.

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