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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Alien a Bordo - Parte 2

Foram horas e horas de discussões, de teorias sendo formuladas, apenas para serem em seguida descartadas. Com o tempo, a desconfiança foi aumentando, junto com o cansaço e a irritação.

Algumas revelações surgiram.

Even participou dos protestos estudantis de 2315, esteve presa, mudou o nome, recebeu uma permissão especial do governo para começar uma nova vida.

Laos participou de uma seita ilegal que defendia a rendição para os alienígenas, por acreditar serem eles seres superiores. Ele foi um forte suspeito de ser o traidor. Até que revelou o que o fez sair da seita e se alistar. Sua irmã morava em Colônia 7, o mundo que os aliens transformaram em um inferno radioativo. Ninguém mais questionou sua lealdade.


Foi a suspeita de Margô que atingiu a todos de forma mais
impactante.

- Eu sei quem é o único aqui que pode ser o traidor - ela disse.

Nós olhamos para ela, curiosos. Sua pausa obviamente para gerar mais impacto na revelação.

- Ava. O único traidor possível é Ava.

- Margô - Ava respondeu de imediato - eu sei que você tem restrições aos sintéticos, mas esta hipótese não faz sentido.

Foi a mais longa das discussões. Por um lado, não víamos como os alienígenas poderiam ter alterado Ava. Boa parte de sua personalidade era fixa, não sujeita a manipulação. Por outro, todas as outras alternativas também não pareciam fazer sentido.

Por fim, a discussão se encerrou com base no argumento mais importante de todos. Se os alienígenas estivessem conseguindo controlar os sintéticos, então a guerra já estava virtualmente perdida. Na verdade, se Ava assim desejasse, não teríamos sequer sabido da suspeita de haver um espião na nave.

- Ava, Olf, estou propondo abortar a missão e retornarmos. Preciso da concordância de vocês dois. Não podemos seguir adiante com o risco de um espião na nave.

Mais alguns minutos se seguem, de discussões adicionais, últimas idéias, mas, por fim, há a concordância. A missão é abortada. Ava abre a porta para sairmos.

Em minha cabine, eu olho para meus braços e os pequenos tentáculos verdes na ponta de cada um. Eu penso na mensagem. - impeça a nave de chegar a seu destino, não importa como - e agradeço por ter conseguido cumprir meu objetivo sem a morte de nenhum dos seres que aprendi a respeitar.

"Algum dia voltarei para meu corpo? algum dia serei humano novamente?" eu falo em silêncio comigo mesmo, e me pergunto quando terminará minha missão.

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