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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Exploradores de Marte

A Chegada ao Planeta Vermelho

- Berg, estou na entrada, ao lado do robô - Douglas Connor falou pelo rádio com seu colega, que aguardava dentro do módulo de aterrissagem. Foi decidido que apenas um deles iria entrar nas ruínas no primeiro dia.

Foram meses viajando, atravessando o vácuo que separa a Terra e Marte, na primeira e, talvez, única viagem que jamais seria realizada ao planeta vermelho. Os custos de um vôo tripulado eram simplesmente altos demais, ainda mais com o mundo envolvido em sua mais profunda crise econômica.

Douglas olhou para baixo, para o Robô. Era graças a ele que estavam aqui, graças a um pequeno explorador movido a energia solar, que - acreditava-se - funcionaria por apenas algumas semanas - mas prosseguiu por anos lentamente avançando pela superfície deste planeta distante. Enviado para encontrar vida no planeta vermelho, ele encontrou muito mais.

Ele encontrou vestígios de uma civilização.

A notícia correu o mundo, primeiro como boatos, e finalmente como uma declaração oficial da agência espacial. Sim, havia sido encontrada uma evidência indiscutível da presença de vida inteligente. Algum tipo de construção, muito antiga, foi encontrada por acaso por um dos robôs exploradores, na borda de uma cratera. Aparentemente esteve até recentemente enterrada na areia, o que ajudou a preservá-la da ação do tempo.

Ainda foram cinco anos de preparo, até a nave estar pronta para a partida. Cinco longos anos em que Douglas foi continuamente testado, concorrendo com dezenas de outros candidatos. Cinco anos em que a curiosidade varreu o mundo, e só isto garantiu a disposição política para custear o projeto, tantas vezes engavetado. Um homem iria finalmente colocar o pé em outro planeta. Cinco anos desde que Douglas Connor disse para si mesmo que seria este homem.

Douglas olhou uma vez mais para a edificação, protegendo os olhos do sol, maior e mais brilhante do que estava acostumado, e falou no rádio.

- É impossível entrar pela porta principal, está tudo coberto de areia. Mas parece que há janelas nos andares de cima, vou tentar subir pela cratera e entrar por uma delas. - Depois de ouvir a confirmação de Berg, Douglas caminhou lentamente, o traje de proteção atrapalhando seus movimentos.

Por horas, Douglas Connor investigou a estranha construção, rapidamente percebendo que nada encontraria nos andares superiores. Tudo havia sido destruído pelo tempo. Foi só quando encontrou uma escada protegida por uma porta, uma porta que parecia feita para um ser humano utilizar, e começou a descer mais e mais, que suas esperanças se reacenderam. Era uma longa escadaria, e aparentemente estava isolada do mundo externo por pesadas portas em cada andar.

- Sabe - comentou Berg, enquanto ele descia um andar após o outro - eu fico me perguntando como serão os seres que construiram este edifício? Será que são parecidos conosco? e, mais importante, será que são deste mundo, alguma estranha civilização que se desenvolveu aqui há milhares de anos, quando ainda havia água na superfície, ou será que são viajantes de alguma estrela distante que apenas estavam de passagem.

- Nem uma coisa, nem outra - respondeu Douglas - eles eram exatamente como nós.

- Como você tem tanta certeza disto?

- Porque eu acabo de encontrar um crânio humano.



A Partida do Planeta Vermelho

Foram duas semanas de investigação, mas muito pouco se pôde descobrir além do crânio e alguns ossos. A escadaria era a única parte das ruínas relativamente intacta. Não apenas o tempo havia apagado quase qualquer evidência de como eram os habitantes do lugar, mas fazer uma investigação arqueológica dentro de um traje espacial, em um planeta hostil, era um trabalho lento e com poucos resultados.

Mesmo assim, foi com pesar que eles partiram do planeta vermelho, tendo descoberto tanto - certamente a maior descoberta científica da humanidade - e ao mesmo tempo com tantas perguntas não respondidas.

- Será que a análise de DNA do crânio vai nos dizer alguma coisa - Comentou Berg, minutos após partirem, falando novamente do único assunto que dominou as conversas nas últimas semanas.

- Espero que sim.

- Já decidiu entre os UFOS e a civilização ancestral? - A descoberta havia reacendido um longo debate, há muito esquecido, entre aqueles que acreditavam que as antigas evidências de estranhas tecnologias eram a prova da existência de alienígenas, e os que diziam que milênios antes houve uma civilização avancadíssima, em um continente submerso no oceano.

Os primeiros diziam que estes alienígenas haviam interferido com a evolução humana. O Crânio seria de um ser humano, levado por eles. Os outros diziam que ele próprio é que era um astronauta.

- Sabe - disse Douglas - uma vez um professor me contou uma terceira teoria. Ele disse que acreditava que a vida não começou em nosso planeta, que toda a evolução de nosso mundo foi artificial. Ele acreditava que os homens vieram de outro lugar, e transformaram o mundo em um lugar habitável. Talvez eles tenham vindo daqui, do planeta vermelho, de uma época em que ele tenha tido oceanos e vida, e, quem sabe, toda uma civilização.

- Receio que nunca saberemos. Com a crise e tantos problemas, duvido que enviem outra expedição para cá.

Douglas olhou uma última vez para o visor que mostrava o planeta vermelho, diminuindo mais e mais.

Com mais perguntas que respostas, Douglas e seus colegas iniciaram a longa viagem de volta para casa.

Para Marte.

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