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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os Cinco Não Vivos - Parte 1 de 5: Luskor

Luskor

- Meninas não sabem contar histórias de terror - Pedro disse, desafiando Claudia. Ela fitou ele com olhos zangados.

Estávamos em quatro, Claudia a única menina no grupo, em meu quarto, e cada um de nós contou uma história assustadora. Pedro contou uma de vampiros, Luiz uma de lobisomem. Eu contei uma história de uma mulher que esqueceu o bebê na janela, e ele caiu do 5º andar. Achei que a minha era a mais assustadora, até ouvir a história de Claudia.

- Existem cinco arcanjos que são os protetores da humanidade. Eles foram criados por Deus e receberam a missão de proteger o homem de todo mal. Seus nomes constam de uma história que deveria fazer parte da Bíblia, mas que esqueceram de incluir quando montaram o livro.

- Só uma menina mesma para contar uma história de anjos e achar que é assustadora - debochou Pedro.

- Psiu - eu e Luiz dissemos ao mesmo tempo.

- Não seria uma história assustadora - explicou Claudia - só que Lúcifer achou que isto afetaria o equilíbrio entre o bem e o mal, privando a humanidade de seu livre-arbítrio. Assim ele criou cinco seres para serem o contraponto dos Arcanjos, os cinco não-vivos.

- Ei - Pedro interrompeu novamente - histórias de vampiros não valem, que eu já contei uma.

- Eles não são vampiros - Claudia continuou - vampiros falam sobre eles, a noite, quando querem assustar uns aos outros, como nós estamos fazendo agora. Eles bebem o sangue de vampiros como vampiros bebem o de pessoas, mas não para se alimentar, apenas por diversão.

Claudia continou então, descrevendo cada um dos não-vivos. Um deles, Matat, tinha suas mãos cobertas por um veneno que paralisava as pessoas (e os vampiros, ela comentou olhando para Pedro). Ele então fazia pequenos cortes na vítima, e ela se esvaia em sangue, morrendo lentamente, consciente mas imobilizada.

Outro, Kabet, vinha, a noite, e, sem despertar a vítima, conseguia pegar pequenos pedaços do cérebro dela com a mão. A cada dia a pobre vítima ia ficando mais confusa, perdendo memórias, até esquecer completamente quem era. Se abrissem sua cabeça, iam descobrir que uma parte de seu cérebro não estava mais lá.

Um terceiro, Luskor, assumia a exata aparência de sua vítima, muitas vezes vivendo por semanas e meses fingindo ser a pessoa que ele ocupou o lugar.

Claudia também descreveu em detalhes a aparência de cada um. Matat era alto e magro, branco, com mãos compridas, dedos mais longos do que uma pessoa normal. Kabet era baixo, gordo e careca, e parte de seu cérebro era vísivel na cabeça sem cabelos. Luskor só era visto com a aparência de suas vítimas.

A quarta não-vivo se chamava Kalith, e era uma mulher linda que seduzia suas vítimas. Do quinto não-vivo, ela só disse o nome, Adath.

- Eles são cinco, e são eternos, mas não são imortais. Quando morrem são substituídos.

- Como assim?

- Esta é a história que eu vou contar em uma próxima vez. - Ela então gargalhou.

A história de Claudia foi a mais assustadora de todas, concordamos. Até Pedro teve que dar o braço a torcer. Quando fui dormir, naquela noite, ainda assustado com a história, eu achei que veria os cinco não vivos em meus sonhos.

Curiosamente, eu tive pesadelos, sim, mas foi com a história que eu contei, só que, em vez de um bebê, era eu que caía da janela de meu apartamento. Meu cérebro se espatifando no chão, meus ossos se quebrando. Acordei com um grito contido na garganta.

Era noite ainda, e Kabet estava no quarto comigo.

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