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FICÇÃO CIENTÍFICA  -  FANTASIA  -  TERROR.


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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Invasores de Mentes

A Noite Anterior ao Encontro com o Presidente

- Se não fosse a ficção científica, estaríamos extintos - Eu disse esta frase e bebi mais um gole de cerveja, direto da garrafa. Meu irmão, John, e David, nosso colega de infância, dividiam a pequena mesa da cantina do quartel. Meu irmão não bebia, ele nunca bebeu alcool.

- Esta foi sua grande descoberta, Matt, depois de três meses na Europa? - David foi o primeiro a morder a isca, abrindo espaço para eu contar minha conclusão. Meu irmão revirou os olhos.

- Não a única, talvez nem a mais importante, mas, sim, foi uma conclusão que cheguei durante minha estada na França. Veja, o cenário que estamos lidando jamais faria parte de qualquer estudo militar realista. Nenhum exército do mundo jamais se preocupou seriamente que um dia enfrentaríamos alienígenas invasores de corpos.

- Mas a Ficção Científica já se ocupou longamente deste tema - meu irmão ajudou a completar meu raciocínio.

- Mas a Ficção Científica sim - eu repito a frase de meu irmão - na Ficção já tivemos livros, filmes, abordando inúmeras variações deste tema. Teve aquele clássico famoso e suas refilmagens no século passado, o livro daquela escritora de vampiros no início deste século, e tantos outros. O fato é que nós já tínhamos, em nosso imaginário, todo um cenário montado para exatamente esta situação.

- E isto não foi ainda pior? Quando começaram a falar que as pessoas estavam possuídas por alienígenas, ninguém acreditou justamente por parecer uma história de cinema - David retrucou, mas eu tinha o argumento todo bem fundamentado em minha mente.

- Ninguém acreditaria de qualquer maneira, no início. O importante, porém, é que havia um referencial para nos basearmos. Ok, só começamos a acreditar quando já tínhamos perdido a França inteira, mas pelo menos o que estava acontecendo podia ser explicado de uma forma compreensível para todos. Bastou dizerem, "invasores de corpos tomaram a França e estão se infiltrando no resto do mundo", para todos entenderem o que estava acontecendo.

- E você vai contar sua teoria para o Presidente Glover amanhã, na recepção?

- Claro que não, mas eu poderia. E aposto que ele iria me dar razão. Mas eu não fiquei em quarentena por duas semanas, enquanto confirmavam que eu não fui possuído, aguardando este dia, para perder o tempo do presidente com bobagens.

- Pois eu lhe dou uma razão muito melhor que sua ficção científica para ainda estarmos aqui - David esperou para ver se eu ia interrompê-lo, e então continuou - o próprio Presidente Glover, o melhor presidente da história dos Estados Unidos. Sem ele, teríamos sido varridos do mapa.

- É verdade - meu irmão concordou, e eu fui obrigado a balançar minha cabeça também, em concordância. Mesmo assim, apenas para não dar o braço a torcer, complementei - sem ele e sem os Chineses.

- Ah, os Chineses fizeram sua parte, temos que admitir. Conseguiram salvar metade da Rússia e metade da Índia, e manter os aliens longe de quase toda a Ásia, mas o que seria deles se nós tivéssemos caído? E o que seria de nós sem Glover? - A voz de David enfática, quase fanática.

- Ok - eu concordei, dando o braço a torcer. Até porque, verdade seja dia, falar mal do Presidente Glover não iria livrar nem um herói como eu de ser linchado em qualquer canto do mundo livre. - ok, eu admito. Glover conseguiu mais do que eu imaginaria possível, naquelas primeiras semanas de pânico. E olhe que eu não dava nada por ele.

- Ninguém dava - Continuou David, empolgado - o primeiro presidente independente eleito desde George Washington, e que só ganhou porque os candidatos Republicanos e Democratas foram um desastre. E, de repente, no auge da invasão, descobrimos que temos como lider uma mistura de Roosevelt e Churchil. Os discursos dele, a forma como agiu, a coragem moral de detonar uma bomba de hidrogênio no centro de Paris.

- Isto pegou os aliens despreparados - meu irmão comentou - eles tinham certeza que não haveriam ataques nucleares em áreas densamente povoadas. Ali eles quase perderam a guerra, tiveram que descentralizar toda sua produção de esporos e adiar todos os planos de expansão.

- Aquilo mudou o rumo da guerra - eu concordei com meu irmão - foi o que salvou a Inglaterra.

- A Inglaterra ainda não está salva - David, em um tom mais sóbrio - você esteve lá. Está tão ruim quanto nos noticiários?

- Pior - eu admiti. - Mas pelo menos estamos vencendo lá, diferente da África, que tudo indica que vamos perder inteira. Eles acham que em um ano teremos limpado a ilha dos alienígenas. Aí, teremos uma base de onde invadir a Europa.

- E quando isto acontecer, serão pessoas como você que tornarão possível reconquistar a Europa. Pessoas que estiveram lá e sabem como os alienígenas estão se preparando.

- Pessoas como nós - meu irmão complementou. Ele esteve comigo todo o caminho. Acho que se eu estivesse vivendo sozinho por três meses no meio dos aliens, teria enlouquecido.

- Bom - eu comecei a me levantar - amanhã o Presidente virá para me dar uma medalha. O mínimo que posso fazer é estar bem acordado e sóbrio, então, se me dão licença.

Meu irmão também se despediu, e saímos abraçados.


A Madrugada do Dia do Encontro com o Presidente

- Matt, Matt, acorde - Alguém me sacudiu. Eu abri os olhos, confuso. Era meu irmão.

- O que houve?

- O presidente chegou de helicóptero, eu vi ele com a comitiva, Matt, e você não vai acreditar...

- O que?

- Ele é um deles. - Eu soube na hora a que ele se referia. Um dos possuídos pelos esporos alienígenas.

- Impossível. Saberiam na mesma hora. No início os aliens tentaram dominar os principais lideres do mundo, mas agora tomamos todos os cuidados.

- Sim, mas nós dois vimos, lá na Europa, que os Aliens estão mais espertos também. Aposto que não há ninguém deste lado do oceano que saiba identificar um possuído como nós dois.

Eu concordei em silêncio, com a cabeça. Era verdade. Nos filmes sempre era fácil identificar um humano possuído. Ou eles falavam e se moviam de uma forma mecânica, ou tinham um brilho no fundo do olho, ou qualquer outro sinal. Na vida real era mais complicado que isto, mas depois de três meses entre eles, eu e meu irmão já sabíamos identificá-los de longe.

- Você tem certeza?

- Se não tivesse não ia lhe dizer. Mas vamos estar frente a frente com o presidente em algumas horas. Você vai ver também.

- E o que vamos fazer? Será que vão acreditar em nós se contarmos?

- Será que podemos correr o risco de não acreditarem? - A pergunta de meu irmão calou fundo. O mundo livre, a América - norte e sul - Inglaterra, Japão e China - com agora duas vezes seu tamanho original - deviam sua existência ao Presidente Glover. Mas, e se ele tivesse sido possuído, o que deveríamos fazer?

Nós passamos as próximas horas acordados, conversando, pensando e decidindo como teríamos que agir.


O Encontro com o Presidente

A arma no meu coldre, carregada, parecia pesar muito mais que seu tamanho justificaria. A esquerda, David, radiante. Seria seu primeiro encontro com o Presidente, e ainda por cima para receber uma medalha, nada menos. John, a minha direita, mais sóbrio. Ele carregava nas costas o mesmo peso que eu, de saber o que iríamos enfrentar nos próximos minutos.

Eu havia conhecido o presidente pessoalmente quando parti para a missão. Era uma missão suicida, ninguém antes havia conseguido espionar o território dominado pelos aliens e voltar. Quer dizer, voltar sem ter sido possuído.

E então eu o vi, e meu coração gelou. Era impossível para um olho não treinado perceber, mas eu sabia distinguir os menores detalhes, com a experiência de quem passou três meses no meio deles. A ligeira, quase imperceptível, dificuldade de caminhar. O leve deslocar do pescoço para a esquerda. Detalhes muito pequenos para chamarem a atenção. Naquele instante eu soube.

Eles haviam pego o Presidente Glover.

Quando ele se aproximou até menos de dois metros de mim, minha mão direita se fechou sobre a arma. O tempo pareceu se mover em câmera lenta, efeito da adrenalina jorrando em meu organismo. Eu falei para David, meu amigo de infância - Se o pior acontecer comigo, prometa que vai cuidar de meu irmão caçula.

Minha mão sacou a arma, sem que David visse, meus olhos se deslocaram para meu irmão, John, e David falou.

- Que piada, Matt. Você é filho único.

Olhei o presidente, que já estava reagindo, se jogando no chão. Olhei novamente John nos olhos, minha arma se moveu para a cabeça dele, e eu atirei em meu irmão.

E tudo ficou escuro.


No Hospital

- Ele vai sobreviver?

- Há 10 anos, eu diria que não, ou pelo menos, que se sobrevivesse seria um vegetal. Mas acho que há uma boa chance de reconstruírmos seu lado direito do cérebro. Ele está reagindo bem a terapia com implante de células tronco.

- É verdade que ele está curado dos esporos?

- Sim, o primeiro homem a conseguir isto. Mas ele é um caso único. Apenas metade do seu cérebro estava possuído, a metade que foi atingida pelo tiro. Foi um truque dos alienígenas, para que não detectássemos nos exames, para conseguirem colocar um assassino na frente do Presidente Glover. Eles estão ficando mais sofisticados a cada dia.

- Foi muita sorte que conseguiram atirar nele antes que ele matasse o presidente.

- Sorte? Minha cara, você está olhando para um dos maiores heróis desta guerra. Você está olhando para o primeiro homem que resistiu aos alienígenas. Ele atirou na própria cabeça, na metade possuída pelos esporos.

aventuraeficcao.blogspot.com

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