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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vida Virtual S.A. - O Caso do Investigador

   O Presidente da Vida Virtual S.A. era um homem alto, magro e elegante, mas em 5 minutos de conversa você tinha a impressão de que estava falando com um vendedor de carros usados. Ele não me impressionou na primeira vez que estive aqui, quinze dias atrás, e menos ainda hoje. Seria um prazer desmascarar este rato.
   - Que bom vê-lo novamente, senhor Carvalho, veio contratar um novo período de vida virtual? Temos uma promoção que se encerra esta semana de 1 ano pela metade do preço. Posso chamar um de nossos atendentes para lhe explicar este plano em detalhes, se você desejar.
   - Não será necessário, senhor Dias. Como disse para sua secretária, minha conversa é com o senhor.
   - Oh, claro, claro. Em que posso ajudá-lo, meu jovem.
   Eu puxo o distintivo do bolso interno de meu paletó. Ele brilha em uma leve luz verde, confirmando que pertence efetivamente a mim.
   - Senhor Carvalho, estou aqui como representante da polícia federal.
   - Polícia federal? Não estou entendendo, houve algum crime?
   - Está havendo neste momento. A Vida Virtual S.A. é o crime que estamos investigando, e agora juntamos o elemento que faltava para por fim a sua fraude.
   - Acho que está havendo algum tipo de mal entendido. Somos uma operação totalmente honesta e dentro da lei.
   - Foi o que vim confirmar duas semanas atrás. Vocês vendem uma vida artificial, uma experiência acelerada tão real quanto a realidade, em que seus clientes vivem uma semana em poucas horas.
   - Exatamente, e não há nada de ilegal nisto. Temos todos os alvarás. Você deve lembrar que passou uma semana virtual muito agradável, quando esteve aqui da última vez.
   A audácia daquele sujeito quase me fez perder a cabeça. Foi com esforço que não alterei a voz.
   - Lembrar é o termo, senhor Dias. É claro que eu lembro de ter vivido uma semana de vida artificial. Vocês implantaram uma semana de memórias em minha mente!
   - Isto é um absurdo! Nós não trabalhamos com implantes de memória, mas com simulações neurais!
   - Ocorre, senhor Dias, que eu vim aqui justamente para investigar isto. Um implante neural registrou tudo que eu vivenciei enquanto estive em vida virtual, e sabe o que ele detectou?
   Eu podia ver o rosto do presidente da Vida Virtual S. A. começar a ficar branco, a medida que ele percebia que havia sido desmascarado. Como ele não respondeu nada, eu mesmo respondi por ele.
   - O implante não registrou nada. Ou melhor, registrou o nível de atividade de um cérebro em coma. Sua empresa é uma fraude, você implanta memorias artificiais em seus clientes, e faz eles pensarem que de fato vivenciaram uma realidade que foi apenas implantada em suas mentes.
    O presidente começa a balbuciar uma patética tentativa de dizer que nunca nenhum cliente reclamou, e que - de todo modo - as pessoas saiam da Viva Virtual com as mesmas memorias que teriam se o sistema funcionasse como prometido.



   Em seu escritório, o Presidente da Vida Virtual S. A., Felipe Dias, terminou de ler o relatório.
   - Então, esta é a transcrição do que ele está imaginando neste momento?
   - Sim, senhor - o cientista chefe respondeu - foi sorte termos seguido os procedimentos desta vez. 1 hora de vida virtual real, para ajustar os aparelhos e calibrar o registro das memorias artificiais.
   - Ótimo. Vou usar isto com o conselho, quando quiserem reduzir novamente o tempo de vida virtual para cortar custos. O que fazemos agora?
   - Bom, acho que não há por que nos arriscarmos com este agente. Já autorizei a darem a 1 semana de vida virtual para ele, ao invés do implante de memoria. Só que vai estourar nosso orçamento do mês.
   - Mande para mim, que autorizo. E apague a memoria desta cena que ele imaginou, foi realista demais para o meu gosto.
   - Será feito presidente.
   - Ah, e mais uma coisa. Implante uma memória hipnótica. Quero que ele decida cometer suicídio mes que vem.
   - Não é um exagero, senhor? Depois que virem que o procedimento foi feito corretamente com o agente deles, você acha que ainda estaremos em perigo.
   - Oh, claro que não. Tenho certeza que escapamos desta.
   -Mas então por que fazê-lo se matar?
   - Ele me chamou de rato. Ninguém me chama assim.



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