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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ardath em: O Velho e o Demônio 1/6

Lucy
   Me chamam de Julio. Eu tenho 12 anos, e não sou diferente de qualquer garoto da minha idade. Pelo menos eu achava que não era, até mês passado. Eu não era da turma dos populares na escola, nem era o melhor jogador de futebol ou o lider da turma, mas também não tinha problemas em fazer amigos. Eu me achava comum.
   Claro, eu apenas achava que era comum.
   Meu verdadeiro nome é Ardath.
   E eu sou um demônio.
   Foi o que disse para a garota na minha frente - Eu sou Ardath, o  demônio - quando ela perguntou quem eu era. Ela parecia ter a minha idade, e não sei como ela me descobriu, quando entrei atravessando a parede da casa como se não existisse. Era noite e tenho certeza que não fiz nenhum barulho.
   Não vi razão para inventar muito, já que ela estava me vendo na minha verdadeira forma, sem disfarces, o rosto vermelho, o cabelo feito de chamas. Me surpreendeu que ela simplesmente perguntasse quem eu era em vez de gritar ou sair correndo. Me impressionou ainda mais sua resposta.
   - Oi. Eu sou Lucy - ela me estendeu sua mão. Eu hesitei, sem saber o que fazer. Eu sou novo nesta coisa de ser um demônio, mas me parece meio estranho dar a mão para as pessoas. Demônios deveriam ter algum tipo de cumprimento mais assustador, alguma versão macabra de "vida longa e próspera". Sem saber o que fazer, eu segurei sua mão.
   - Ah, oi. Por que você não está gritando ou fugindo? - Eu sei que não soou muito assustador, ainda mais que era óbvio que eu não sabia muito bem como me portar. Eu não sou muito bom como demônio. Na verdade, quem quero enganar? Sou um péssimo demônio.
   A garota, Lucy, porém, parecia muito mais segura de si do que eu - Não tenho medo de demônios. O que você quer, e por que está invadindo nossa casa no meio da noite?
   Novamente hesitei. Definitivamente as coisas não estavam saindo como eu imaginei, e eu estava começando a ficar nervoso. "Existe uma casa. Há um velho nela, ele utiliza hoje o nome de Sir Denis Smith. Entre, encontre-o e mate-o". Esta era a missão, simples assim. Eu já tinha descoberto que Lúcifer não era de dar muitas explicações.
   A garota estava agora com os braços cruzados, parada a minha frente esperando minha resposta, o pé esquerdo batendo impaciente no chão.
   - Eu, ah, eu vim falar com o Senhor Smith. Senhor Denis Smith - finalmente eu gaguejei. Definitivamente nada assustador. Menos que a garota, que me olhava com um olhar furioso enquanto me corrigia - 'Sir' Denis Smith - Por alguma razão ela começava a me dar medo, ela daria um demônio melhor que eu, tenho certeza.
   - É, eu imaginei - ela continuou - Venha, te levo até a biblioteca. Papai está te esperando lá - ótimo, o velho que eu devia matar era o pai dela.
   Eu a acompanhei pelo corredor e uma escada, até pararmos em frente a uma porta, e então ela a abriu e se virou para mim.
   Os lábios dela tremiam agora, ela não parecia mais tão controlada, e piscou algumas vezes. Fiquei com a impressão que estava prestes a chorar, e a voz dela estava meio embargada quando ela falou, antes de me dar as costas e sair corredor afora em passos rápidos.
   - Por favor, não mate meu pai, tá.

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