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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Amiga do Garoto que Achava que Era um Alienígena

   - Diana, eu acho que sou um alienígena.
   Diana olhou ao redor, mas parecia que ninguém na cafeteria do colégio estava prestando atenção nos dois. Felizmente Ângelo, seu amigo e colega da sexta série, não havia falado em uma voz muito alta, e o barulho das conversas no salão tinha abafado o som. Certamente muito mais por sorte - que ele sempre teve de sobra - do que por bom senso. Ninguém nunca iria colocar uma foto dele do lado da definição de 'bom senso' no dicionário.
   - Não quer falar um pouco mais alto? - ela respondeu, quase sussurando, e ele teve que inclinar o corpo por cima da mesa para ouvir melhor - pelo visto você ainda não deu motivos suficientes para a turma pegar no teu pé.
   - Ninguém mais faz bullying hoje em dia, Diana. Isto é coisa do tempo dos nossos pais - a voz dele com indiferença, os ombros se encolhendo para reforçar a mensagem que ele não estava nem aí para o que pensavam dele.
   - É, mas ninguém convida os tipos estranhos para as festas, também - ela respondeu.
   - Ninguém me convida hoje em dia, mesmo. - a indiferença era tão exagerada que Diana chegou a  pensar que era forçada. Ela levantou as mãos com as palmas para cima e fez uma careta. A mensagem, tão óbvia que ela nem precisou falar, é que era justamente isto que ela estava dizendo, esta era a demonstração que ele era mesmo um tipo estranho.
   - Mas isto é só mais uma prova. Por que você acha que eu sou estranho?
   Ela fingiu parar para pensar um instante - humm, deixa eu ver... Não é porque você é o mais inteligente da classe... nem porque não tem nenhum amigo, a presente companhia excluída... nem porque gosta de coisas que ninguém mais gosta, a presente companhia excluída de novo.... já sei - Pausa dramática - Claro! Porque você é um alienígena.
   - E se eu for? Não estamos mais no século XX. Nós sabemos que alienígenas existem, não sabemos?
   Isto era verdade. Desde 2032, 10 anos atrás, as pessoas sabiam que existiam seres de outros planetas. Pior, um grupo deles realmente havia se disfarçado de humanos naquela época, e se infiltrado na sociedade. Ambos tinhas uns dois anos na época, mas eles estavam justamente estudando sobre isto nas aulas de história.
   - Tá, Ângelo. Nós estamos vendo isto na aula. Alienígenas existem e um grupo deles se infiltrou entre nós, alguns anos atrás. Mas eles foram presos, e depois recebemos a primeira visita do espaço e devolvemos todos eles. Não ficou nenhum, e nos garantiram que não permitiriam que isto acontecesse de novo.
   - E se aconteceu? Se houver mais alienígenas entre nós, e não soubermos nada a respeito?
   Diana suspirou. Ok, Ângelo era estranho. Até aí, ela também era. "Mas continuam me convidando para as festas", ela fez questão de ressaltar mentalmente para si mesma. Agora, quando ele embestava em uma ideia maluca, era de fazer qualquer um subir pelas paredes.
   Respirou fundo, reunindo toda sua paciência, e falou, tendando dar a voz um tom mais de professora que de aluna de doze anos da sexta série - Podia até ser que houvesse mais alienígenas, e nós não soubessemos, tá? Mas eles sabem que são alienígenas! Se você fosse um alienígena você ia saber! Você ia ter descido na sua nave alienígena, depois de ter colocado sua mente alienígena dentro de um corpo humano e se despedido de seus amigos alienígenas, e provavalmente ia passar os fins de semana jogando online jogos alienígenas com outros ETs - ela pareceu pensar um pouco - tá, esta última parte não vale, porque se tem algum ET na terra, até acredito que seja o pessoal com quem você joga online. Mas o ponto é que se você fosse um alienígena, você ia saber! Dã!
   - Se eu tivesse vindo do espaço, até concordo. Mas e se eu tivesse nascido aqui?
   - Bom, então, por definição, você não é um alienígena, você é nativo da Terra.
   Desta vez, foi a vez dele suspirar. - E depois eu que sou chato! Tá, então eu acho que sou filho de alienígenas, está bom assim?
   - Você ser filho de alienígenas significaria que seus pais são alienígenas
   - Minha vez de fazer dã. É isto que eu estou dizendo. Meus pais são alienígenas que vieram na mesma leva de todos que foram presos, mas eles ficaram e tiveram eu como filho. Só esqueceram de me dizer que eu vim do espaço. Você sabe como eles são estranhos!
   - Não tão estranhos como os meus.
   - Os seus não contam, ninguém é tão estranho quanto eles. O que quero dizer é que meus pais são alienígenas e eu também sou. Ou sou filho de alienígenas, se quer ser preciosista, que dá na mesma. Não sou humano.
   - E você tem alguma prova de sua teoria maluca?
   - É aí que você entra - ele respondeu, os olhos brilhando - eu quero que você me ajude a entrar no laboratório de biologia esta noite, você tem a chave e sabe operar o decodificador genético. Eu tiro uma amostra do meu sangue, e você testa para ver se eu sou humano.
   Diana trabalhava como auxiliar no laboratório da escola. Com 12 anos, era a aluna mais jovem a trabalhar lá. Mas se fosse pega, no mínimo ia perder sua bolsa de auxiliar.
   - Por favor, por favor, por favor. Olhinhos de cachorrinho sem dono - ele realmente olhou para ela com olhos que imitavam um cachorrinho sem dono.
   - Tá bom. Se eu não te ajudar, você vai passar o ano todo dizendo que é um alienígena. Mas vamos fazer diferente, James Bond. Pega uma agulha, fura o dedo, e me entrega. Amanhã, no intervalo, eu rodo sua amostra pelo decodificador, depois acesso de casa o resultado. Tá bom assim, ou o que você queria era invadir a escola de noite?
   Ele concordou. Fez um escandalo que chegou a chamar a atenção dos garotos ao redor, quando ela fincou a agulha no dedo, mas agradeceu imensamente. Ela prometeu ligar assim que chegasse o resultado.
        * * *
   - Alô, quem fala?
   - Sou eu, Diana - a voz dela estava tensa, nervosa. O computador estava ligado na sua frente, mostrando os resultados dos exames.
   - Então é verdade? Eu sou um alienígena?
   Ela engoliu em seco, respirou fundo e aguardou um segundo até sua voz ficar normal. Depois deu uma risada que - esperava - não transparecesse nenhum nervosismo.
   - Claro que não. Teu exame deu perfeitamente normal. Te encaminho o e-mail.
   Ele parecia desapontado quando desligou o telefone. Diana ficou só olhando a tela do computador com os resultados dos exames que ela fez e se perguntando porque ela se deixou levar pela teoria maluca dele.
   Ela clicou no botão de encaminhar e começou a editar o e-mail antes de enviar. Na verdade, não fez nada na linha em que mostrava o nome dele e o resultado negativo do teste de DNA alienígena.
    Apenas removeu a segunda linha, a linha do resultado do segundo DNA testado - a linha do resultado positivo - enquanto se perguntava porque havia testado também o DNA dela própria.

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