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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ardath em: O Velho e o Demônio 4/6


Lucy
   Eu sai da biblioteca atravessando a porta sem abri-la, caminhando pelo mundo das sombras como Kabet me ensinou, perdido em meus pensamentos sobre as consequências do que havia acabado de fazer. E dei de cara com Lucy, que pelo visto estava atrás da porta. Caímos no chão, eu por cima dela, o sangue em mim se esfregando no corpo dela. Ela arregalou os olhos quando viu meu rosto sujo de sangue.
   - Você o matou! Você realmente matou meu pai.
   Eu tentei me explicar ao mesmo tempo que tentava sair de cima dela, quando uma dor aguda me dilacerou por dentro, mais forte do que qualquer coisa que eu já tenha sentido. Eu gritei e me afastei, me levantando cambaleante. Segurei minha barriga com a mão e fiquei apavorado ao ver sangue escorrendo aos montes e se espalhando pela minha roupa. Muito mais sangue do que eu tinha me sujado antes.
   Eu estava quase gritando novamente, desta vez por socorro, quando a vi se levantar, uma faca pequena mas brilhando na penumbra do corredor em sua mão, com sangue escorrendo da ponta. Meu sangue.
   Ela  veio na minha direção, a faca apontada para meu pescoço.
   Acho que Kabet não vai ficar muito orgulhoso de mim. Ele passou dias e dias me ensinando a dominar meus poderes. Como paralisar pessoas, como fazer o sangue delas ferver, como simplesmente explodi-las com um gesto. Eu não consegui fazer nada destas coisas, só fugir   apavorado.
   Eu entrei no mundo das sombras, atravessando as paredes da casa e depois alterando a realidade ao meu redor, até parar no ponto de encontro com Kabet, um apartamento vazio em uma cidade que eu não conhecia.
   - Você está ferido - foi o único comentário de Kabet, quando desabei no meio do apartamento, e foi dito como se ele estivesse falando sobre o tempo ou meu corte de cabelo, sem ponto de exclamação nem nada. Mesmo assim ele se ajoelhou ao meu lado e rasgou o que restava da minha camisa. Um pedaço das minhas tripas estava saltando para fora da barriga, mas estranhamente a dor já estava passando. Meu pavor não.
   - Você consegue me curar? - Eu perguntei.
   - Provavelmente sim, mas não fica bem demônios começarem a ficar curando as pessoas, mesmo outros demônios - ele se levantou - isto é o tipo de coisas que anjos fazem. Você vai sobreviver, desde que não deixe suas tripas cairem para fora. Fique segurando com a mão.
   - Grande ajuda você é - eu disse. A dor tinha passado totalmente, mas eu fiquei pressionando meu ferimento com a mão, sem saber se ele estava falando a verdade ou não - Não vai me perguntar o que aconteceu?
   - E precisa? Você está todo sujo de sangue. A maioria seu, dá para sentir pelo cheiro, mas tem também sangue do velho. E pelo visto Lucy não gostou muito que você tenha matado o pai dela.
   - Que tipo de demônio ela é? Você tinha me dito que só tinha humanos naquela casa - enquanto falava eu me levantei tentativamente, devagar. Podia não estar sentindo dor, mas dava para ver que eu precisava continuar segurando alguma coisa. Eu olhei de canto de olho para o ferimento e quase vomitei, minhas pernas querendo fraquejar, e prometi que não ia mais olhar até começar a cicatrizar.
   - Ela não é um demônio. Lamento ter que dizer isto, mas uma garotinha de 12 anos 100% humana quase acabou com você, e ainda o fez fugir com o rabo entre as pernas. Se serve de consolo, o inferno inteiro sabe que ela tem um gênio do cão.
   - Quem é ela? Quem era o velho?
   Kabet ignorou minha pergunta.
   - Venha, vamos trocar sua roupa. Se apresentar a Lúcifer com roupas ensanguentadas até pode ter estilo, mas acho que você se mijou também. Não precisamos que você estrague ainda mais nossa reputação com o chefe.

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