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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ardath em: O Velho e o Demônio 2/6


Kabet
   Meu coração estava acelerado, e eu me perguntava como teria coragem para matar um velho. Como queriam que eu fosse um demônio, se eu continuava sendo eu mesmo? Eu me lembrei de ter conversado com Kabet sobre isto.
   Foi Kabet quem me trouxe até a casa de Sir Denis Smith, para que eu entrasse e o matasse. Nós viemos conversando todo o caminho, enquanto o mundo ao nosso redor se transformava, a medida que íamos de um continente para outro, e depois de uma cidade para outra. Viajar pelo  mundo das sombras foi uma das primeiras coisas que Kabet me ensinou.
   Era estranho que Kabet fosse o único dos não-vivos que eu me sentisse confortável em conversar. Principalmente porque, de todos, foi ele que mais me assustou quando os conheci. Mas tudo em ser um demônio era estranho e diferente do que eu imaginava, e eu disse isto para ele.
   - É mesmo? Diferente em que sentido? Como você imaginava que iria ser? - Kabet conversava tranquilamente, enquanto viajávamos. Eu imaginei que já não era novidade para ele, ele havia me comentado que era o mais antigo desta encarnação dos não-vivos. Para mim, era fascinante ver casas, ruas e pessoas aparecerem e desaparecerem, enquanto andávamos, viajando através do planeta.
   - Não sei. Acho que eu imaginava que ia me transformar em algum tipo de monstro. Que ia deixar de ser eu. Mas eu continuo sendo o mesmo Julio, e acho que é isto que me assusta - Ele me olhou com uma cara estranha, e eu abaixei meus olhos. Sempre que olhava seu rosto, não conseguia deixar de ver o pedaço de cérebro aparecendo, e isto continuava a me dar uma sensação ruim.
   - Você preferia ter se transformado em um monstro? Por quê?
   Falando assim, parecia mesmo estranho. Não, eu não queria ter me transformado em um monstro, e eu disse isto para ele, e continuei, me explicando melhor - só que não entendo como querem que eu seja como os outros demônios, eu sou só um garoto. Agora, eu devo entrar nesta casa e matar um velho que eu nunca vi? Como que eu vou fazer isto? Eu não quero matar ninguém.
   - Você fará o que desejar fazer, garoto. E terá que pagar o preço de suas decisões, para o bem e para o mal, como todo mundo - Com estas palavras, ele se despediu.
   E eu deixei Kabet para trás e vim para esta casa, para matar um velho. E agora ele estava à minha frente. À minha espera, havia me dito sua filha.
   - Não fique parado aí, garoto. Entre e feche a porta. Abri um vinho para nós.
   Ao lado de uma lareira ele estava sentado, uma taça de vinho em sua mão, um outro sofá vago a sua frente, que ele apontava com a mão. O gesto um convite. Em seu rosto um sorriso.
   "Este é o homem que devo matar", eu pensei, enquanto me aproximava.

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