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sábado, 24 de novembro de 2012

Niq de Alashiya e a Cidade das Três Deusas - 3


   O vento soprava forte no alto da torre norte do templo das três deusas, não encontrando árvore, construção ou elevação em seu caminho que lhe tirasse força. Quente e úmido, anunciava a chegada das chuvas.
   Ele fazia corrrer soltos os longos cabelos tingidos de preto de Shahad, a segunda das três, que olhava o porto de Kilquitai, e o distante mar, perdida em pensamentos.
   O vento também tocava o rosto e o corpo de Ishaad, a primeira das três, balançando apenas seu manto, o cabelo grisalho preso em uma armação de pérolas. Ela não olhava nem o mar, nem o porto, mas seus pensamentos estavam igualmente distantes.
   "Eles sempre foram assim, primeira de nós? Sempre foram tão arrogantes, e eu que não percebia?", a voz de Shahad baixa o bastante para não ser levada pelo vento, mas com um tom claro de irritação.
   "Quando eu era Shayin, eles se prostravam a nossos pés sem hesitar um instante, como todos os nossos filhos. Naquela época qualquer homem ou mulher de Kilquitai entregaria feliz o primogênito em sacrificio, se Ishaad assim comandasse", o olhar de Ishaad distante, enxergando não o aqui e agora, mas o passado distante.
   "Quando eu me tornei Shahad, e você se tornou Shayin", ela continuou, "eles começaram a se sentir mais poderosos, acima dos outros de nossos filhos. Ishaad e eu nos perguntávamos o que seria o futuro, se continuassem a seguir este caminho. Eles se tornavam mais arrogantes a cada dia, muitas vezes faltavam com o respeito a mim. Apenas Ishaad sabia como colocá-los em seu devido lugar".
   "E agora está pior do que nunca". Shahad disse, a voz cansada.
   "E agora está pior do que nunca", concordou Ishaad, "desde a passagem. Desde que me tornei Ishaad e você se tornou Shahad. Eles fazem as reverências corretas, prometem obediência eterna, mas posso sentir no olhar que me enxergam como se eu ainda fosse Shahad, como se não me devessem o mesmo respeito da que veio antes de mim."
   "E a mim eles tratam como se eu ainda fosse Shayin, uma criança e não a mãe de todos eles. Isto é intolerável. Algo terá que ser feito."
   "Algo será feito. Shayin está orando. Ela verá com a visão pura da deusa, e nos trará respostas. Iremos ouvir, e então decidir o que fazer."
   "Seja o que for, terá que ser uma lição que eles não esquecerão. Uma lição que seja lembrada por seus filhos, e pelos filhos de seus filhos. Que nunca os faça seguir novamente por este caminho de arrogância. Malditos mercadores."
   "Malditos mercadores.", concordou Ishaad.

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