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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Niq de Alashiya e a Cidade das Três Deusas - 2

   Niq cresceu ouvindo histórias do mundo para além de Alashiya, com gigantes de um olho só e três metros de altura, e criaturas metade homem, metade cavalo. Cidades feitas de ouro, e torres mais altas que o céu. Espadas encantadas, eternamente afiadas e mais fortes que o mais forte bronze, e mulheres guerreiras que venciam até o mais destemido dos homens.
   Foi o que ele contou para Arguil, quando este lhe perguntou o que ele sabia do mundo para além de Alashiya. A resposta de seu pai foi gargalhar. "Fiz bem em trazê-lo comigo, antes que enchessem ainda mais sua cabeça de bobagens".
   E então seu pai começou a ensiná-lo, todas as noites, sobre cada uma das cidades que ele visitou. Seu pai, que mal havia lhe dirigido a palavra, durante toda sua vida, e que sempre lhe inspirou mais temor que afeição, agora mostrava um novo lado: Arguil contador de histórias.
   Foi um aprendizado, mas como nenhum outro que Niq teve em sua vida, diferente até mesmo das lições de seu tio Magreb. Para seu pai, cada cidade era uma história, e a cada noite ele contava sobre um povo, sua lingua e costumes, que deuses eles obedeciam, e também coisas que Niq não entendia totalmente. Quem era o verdadeiro poder em cada cidade, quem desejava obter este poder, que outras cidades eram aliadas, quais eram inimigas.
   "Não confie em ninguém que não nasceu em Alashiya", seu pai lhe disse, " e talvez nem mesmo nos que nasceram em nossa terra. Até o homem mais leal pode ser comprado pelo preço certo". Niq não acreditou nisto, mas não teve coragem de questionar seu pai.
   Assim, ele sabia o que esperar no porto de Kilquitai, mas a realidade da primeira cidade que ele viu fora de Alashiya não pôde deixar de decepcioná-lo. Não era maior, talvez mesmo fosse menor que sua cidade natal, e não havia grande movimento no porto. Apenas as construções tinham uma forma diferente, telhados mais pontudos, paredes mais coloridas.
   "Veja, Niq! Olhe os navios, como são diferentes! E as pessoas, olhe as roupas que estão usando!", ele quase deu um pulo, tão distraído que não percebeu Ashiderey a seu lado. Era difícil acreditar que seu amigo já tinha quinze anos, ele sempre falava com o entusiasmo e deslumbramento de uma criança, e Niq suspirou.
   "Os navios são mais lentos que os que construímos em Alashiya, Ashi. Arguil disse que nenhum consegue viajar para tão longe quanto nossos barcos. E as roupas são como se vestem em todas as cidades desta costa."
   "Arguil disse isto, Arguil disse aquilo. É tudo que ouço de você desde que subimos a bordo", Ashiderey respondeu, frustrado com Niq. Ambos estavam em sua primeira viagem, e ele não conseguia entender por que seu amigo não estava igualmente empolgado.
   "Desculpe. Vamos, ainda temos que convencer meu pai a nos deixar descer junto com os outros marinheiros, quando aportarmos".
   Foi Ashiderey que falou, tentando soar como um marinheiro veterano  se dirigindo ao capitão do navio. Niq havia visto como os marinheiros falavam com seu pai, o tom informal e geralmente recheado de blasfêmias, e não se parecia em nada com a tentativa de Ashi de parecer um tripulante experiente, mas ele achou melhor não comentar.
   "Capitão, pedimos permissão para descer em Kilquitai, quando o navio aportar".
   Arguil primeiro olhou para eles, em silêncio, e ambos se encolheram, involuntariamente. Depois suspirou.
   "Não se afastem dos outros marinheiros, não falem com ninguém que não lhes dirigiar a palavra. Não falem nada sobre nossa carga ou para onde vamos depois de Kilquitai", e então ele dirigiu o olhar diretamente para Niq, "você vai esperar no navio até termos uma resposta da audiência com as deusas. Se for hoje, não quero ter que procurar por você no porto".
   Niq hesitou, em um primeiro instante frustrado, mas então entendeu melhor o que havia sido dito, "você quer dizer que eu vou ir junto?".
   Arguil não respondeu sua pergunta, apenas mandou que voltassem as suas atividades. Havia muito para fazer enquanto o navio se aproximava do porto.
   "Vamos fazer assim, eu conto tudo que vir no porto, e você me conta como é o templo das deusas, está bem?", sugeriu Ashi, e Niq concordou com um gesto, ainda em dúvida se seu sentimento era de fustração por ter que aguardar no navio, ou ansiedade por em breve acompanhar seu pai em uma audiência oficial.

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