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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Vingança de Martin - Prólogo

O sangue pingava da minha faca até o chão. O assassino agonizava.

Não era apenas pelo golpe no coração que ele estava morrendo. Seu sistema de biodefesa teria estancado a hemorragia em segundos, mas a faca estava coberta de nanos, que agora mesmo percorriam seu organismo, atacando simultaneamente os pulmões e os músculos do pescoço. Ele não podia falar. Não podia respirar.

Eu olhei ao redor. Martin caminhava da porta em minha direção, a boca aberta em um sorriso, os pelos eriçados, em especial na ponta das orelhas. Ele estava exultante, tanto quanto eu.

Tínhamos tempo, ninguém deveria vir até o escritório na próxima hora. As câmeras de segurança estavam desligadas e a rede já havia sido comprometida. Nenhum alarme iria soar.

O assassino olhava para mim, sem nem prestar atenção a Martin, que se aproximava, o pavor nítido em seu rosto enquanto tentava respirar. Seu sistema biológico o manteria vivo por um longo tempo, mas sem oxigênio, isto apenas faria sua agonia se prolongar.

Será que ele me reconheceria? Ou eu era apenas um rosto indistinto, apenas uma Gen como qualquer outra? Ele se lembraria do que fez com minha mãe? Meus irmãos? Ele saberia por que estava morrendo?

- Você não me reconhece, não é? - Os olhos dele se arregalaram ao ouvir minha voz. Talvez ele não reconhecesse meu rosto, mas eu jamais esqueceria o seu. Bastaria eu piscar os olhos para vê-lo no dia que o conheci, no dia em que perdi toda minha família.

Bastaria eu piscar os olhos e o passado se tornava tão nítido como se eu estivesse vivendo-o novamente.

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