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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um Alien numa Terra Alien 5/5 - Epílogo

Epílogo

- Já se passaram 6 meses desde que chegou aqui, senhor Smith. Como está se sentindo?

- Humano. Eu finalmente estou me sentindo humano.

- E antes, nas nossas consultas anteriores, você não se sentia assim?

- Não. Eu me sentia como um alienígena, um Fin, em corpo humano. - Meu rosto revelando repulsa, nojo.

- Mas não era o que você dizia. - O psicólogo fingiu conferir suas notas - você dizia que só queria voltar a ver sua família, e que não havia motivo para mantê-lo retido. Você dizia, insistentemente devo salientar, que era, e sempre se sentiu, um ser humano.

Eu abaixei a cabeça, como se envergonhado, e minha resposta soou hesitante, insegura - Era mentira, eu queria esconder que me sentia um alienígena neste corpo. Eu tinha acabado de voltar da missão. Estava com medo, com raiva, só queria escapar daqui. Em retrospecto, fico feliz por ter tido este tempo. Principalmente, estou feliz por poder voltar a me sentir humano.

- Com raiva, você diz? Raiva de quem?

- De Saath, digo, da agente Black. - Eu só vim a saber o nome verdadeiro dela depois de ter retornado da missão - Eu a culpava por ter testado minha lealdade ao império. E raiva de mim mesmo por ter falhado. Raiva e vergonha.

- Vamos explorar um pouco mais estes sentimentos, senhor Smith. Você estava com raiva da agente Black porque ela estava testando se você ainda era leal ao império. Você ainda tem raiva dela?

- Não. Se tenho alguma sentimento pela agente Black, é gratidão. Gratidão a ela e ao Império. Eu estava deixando de ser humano, deixando de ser humano e me tornando uma daquelas coisas. - Eu estremeci, como se o pensamento me desse nojo. - Acho - eu hesitei - acho que, cedo ou tarde, eu teria revelado quem eu era, teria tentado me tornar um deles. A agente Black só evitou que isto acontecesse em uma situação muito pior.

-E você também estava com raiva de si mesmo, você acabou de dizer.

- Sim. Por ter me apaixonado pela agente Black e traído o Império. Traído minha humanidade, na verdade.

- Bom, o que você fez foi, sem dúvida, uma traição a tudo que a humanidade representa. Se você sentia raiva de si mesmo pelo que fez, isto pode ser visto como um sinal positivo.

Eu balancei a cabeça, discordando do psicólogo, e continuei - Eu estava doente, doutor. Na minha visão doentia, eu estava imaginando que, se tivesse passado no teste e provado minha lealdade ao império, eu poderia continuar a missão. Eu poderia permanecer em um corpo Fin, e continuar junto com a agente Black. Eu realmente havia me tornado um alienígena - Eu coloquei o rosto entre as mãos.

- Senhor Smith, já lhe expliquei, o que aconteceu com você era previsível, dadas as circunstâncias. Nunca deveríamos tê-lo deixado viver tanto tempo entre eles. Você era o agente que operou por mais tempo inserido dentro da hegemonia Fin. Só permaneceu tanto tempo em missão pelo enorme valor que representava para o Império, mas deveríamos tê-lo trazido de volta muito antes.

- Eu entendo, doutor.

- Deixe-me fazer, então, mais uma pergunta. Como sabe, com a possível exceção da agente Black, você é nosso maior perito nos Fins.
Nas outras entrevistas de avaliação, você sempre disse que seria voluntário para novas missões inserido na Hegemonia. Você permanece disposto a atuar novamente dentro de um corpo Fin?

Eu balancei a cabeça, quase como se instintivamente. Depois, após hesitar mais alguns segundos, respondi em voz baixa - não.

- Por que não, senhor Smith? Certamente não temos ninguém melhor que o senhor para atuar disfarçado na Hegemonia. Você tem tanta repulsa a ocupar novamente um corpo Fin?

- Sim. Não, quer dizer, não é isto. Não apenas isto. - Eu hesitei alguns segundos. Respondi com a cabeça abaixada, novamente em voz baixa - eu tenho medo.

- Medo, senhor Smith?

- Eu tenho medo de voltar a me sentir um alienígena. Eu tenho medo que eu me torne uma daquelas coisas, que esqueça que sou um ser humano. Doutor, eu tenho medo que eu acabe fazendo o que tentei seis meses atrás, que eu acabe traindo o império e a humanidade. Por favor, eu imploro, não deixe que me mandem de volta para lá.

- Seu medo é compreensível, senhor Smith, mas não precisa se preocupar. Devo avisá-lo que, de qualquer forma, nós nunca reintroduzimos agentes na Hegemonia. Mas sua resposta é muito importante. Seu medo na verdade é saudável.

Eu fiquei em silêncio, aguardando que o psicólogo continuasse.

- Bem, senhor Smith, deixe-me, então, fazer a pergunta mais importante de todas. Quem é você?

- Meu nome é Arnold Smith, e eu sou um oficial do serviço de inteligência humana. Nasci na Terra, no ano de 2719, me alistei em 2735, entrei para a inteligência em 2740 e de 2745 até 2750 atuei infiltrado na Hegemonia Fin sob a denominação Ralph. Há seis meses minha missão foi encerrada, e recuperei minha forma humana.

- Esta tem sido sua resposta ao longo destes seis meses, senhor Smith. Mas existe uma diferença agora. Você sabe qual é?

- Não.

- Sinceridade. Como psicólogos, aprendemos a perceber o verdadeiro significado por trás das palavras. Hoje, finalmente, eu tenho certeza que você realmente se sente, e é, Arnold Smith. Hoje eu posso dizer que Ralph é o que sempre deveria ter sido, apenas um personagem, um disfarce usado em uma missão.

- Obrigado, suas palavras significam muito para mim.

- Senhor Smith, o senhor fez uma longa jornada, uma jornada que não terminou realmente no dia que chegou no Império, nem mesmo no dia que recuperou seu corpo humano. Sua jornada de volta a humanidade foi concluída hoje, e eu quero ser o primeiro a lhe dar os parabéns.

Eu saí da sala do psicólogo ciente que, pela primeira vez, era um homem livre, pelo menos tão livre quanto é possível ser dentro do império.

Por seis meses ele me perguntou quem eu sou. Eu sei quem eu sou. E eu sei o que tenho que fazer. Não importa que resposta eu lhe dê. Não importa que corpo eu use, ou em que corpo tenha nascido.

Eu sou Ralph, quarto cantor das sombras de Amarth, terceira geração de Fins do mundo de Alar.

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