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segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Último Rei Orco V

Foi no amanhecer de um novo dia que Makel chegou ao primeiro bosque, e parou a beira do primeiro lago e aos pés da primeira árvore. Seus galhos estavam secos, e apenas uma fruta era visível, perfeitamente redonda e ao alcance da mão.

- Ela está morrendo, apodrecendo por dentro, desde que Wotan arrancou um de seus galhos.

O Rei Orco se virou na direção da voz.

- Quem é você? - e ao ver a estranha criatura que parecia um lagarto sem pernas, sobre a rocha, continuou - O que é você?

- Quem eu sou - a voz sibilante lhe respondeu - Apenas um humilde servo de J-VA, e o guardião do primeiro bosque, agora que as Nornir partiram.

- Servo de J-VA? Então você sabe por que estou aqui?

- É claro que sei, último Rei dos Orcos. Você veio pela mesma razão de todos que vieram à árvore de todo o conhecimento, tanto do bem quanto do mal. Você veio em busca de respostas. E veio também para morrer, é claro.

O Rei ficou em silêncio, por alguns segundos, e então falou - Sim, eu também vim para morrer, se esta é a vontade de J-VA.

- Então pegue a faca de pedra, como lhe foi dito, Último Rei dos Orcos. Ela está a seus pés, onde foi deixada por Wotan, que veio antes de você, também em busca da verdade. Ele mostrou que estava disposto a pagar o preço. E você?

O Rei Orco olhou para baixo, e então se abaixou e pegou uma faca que jazia a seus pés, como a criatura havia lhe dito.

- Eu pagarei todos os preços que houver para pagar.

- Então, deixe-me ajudá-lo a cumprir seu destino. - E a criatura deslizou da pedra para o chão, e do chão para o pé de Makel, se enroscando e subindo pelo seu corpo, até sua boca quase encostar no ouvido direito do Rei.

- Arranque o olho que lhe resta sem medo, Orco, que eu serei seus olhos.

Sob as ordens da criatura, em um rápido movimento, Makel arrancou seu olho direito. Cego, a faca de pedra caindo novamente no chão, ele avançou dois passos e puxou o fruto da árvore, cada movimento seguindo a voz em seu ouvido.

- Um ser inferior pode, uma vez, beber o Néctar dos deuses, ou comer a fruta ambrosia, o alimento dos imortais, mas jamais fazer as duas coisas. Para alguém que já bebeu o Néctar, comer a Ambrosia é desafiar os deuses e cortejar a loucura - A voz da criatura, incessante em seu ouvido.

Makel comeu o fruto, cego, a dor onde era seu olho apenas aumentando. Ele não se atrevia a abrir o outro olho, o olho do dragão, certo que o que restava de sua sanidade iria se esvair se ele visse o bosque com o olho do dragão.

E então, o Último Rei Orco de um passo, e depois outro, em direção ao lago, cada passo guiado pela voz em seu ouvido.

O encostar dos pés no lago foi um choque, os pés começando a queimar, como se ele estivesse entrando em um lago de fogo. Mas Makel continuou, um passo após o outro, até todo seu corpo parecer arder.

Por fim, com um novo passo para frente, ele não pode mais respirar, a água chegando a altura de sua boca. Mas Makel continuou, trancando a respiração apenas por um instante. A criatura em seu pescoço se desvincilhando e partindo para trás. A água preenchendo seus pulmões, seu corpo todo ardendo como se em chamas.

E ainda assim, o Último Rei Orco ainda deu um passo, e um novo passo, enquanto seus pulmões se enchiam de água.

E ele então pensou, em silêncio, na única pergunta que ainda lhe importava: Por que os humanos herdarão a terra?

E morreu.

....continua.....

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