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quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Último Rei Orco XX

A Voz de J-VA hesitou por apenas um instante, antes de entrar no templo de Z-US. Ele já havia procurado pelo Rei Goldemar no palácio real e em toda a cidade, ao perceber que o Rei não havia se juntado a luta. "Luta", pensou, "não pode ser chamado de luta, não depois que as muralhas ruiram, soterrando a maior parte da guarda humana".

- Você acha que o rei dos humanos está aqui, meu senhor? - Seth, a espada ensanguentada firme em sua mão, havia acompanhado e protegido seu pai durante todo a tarde.

- Talvez. Siga-me com seus Orcos, Seth, e, lembre-se, somente as virgens podem ser poupadas, conforme a vontade de deus. Mas Goldemar, Rei dos homens, é meu, ninguém mais tem o direito de lutar com ele.
Seth assentiu com a cabeça, e entraram, pai e filho, no templo de Z-US, os soldados seguindo-os a poucos passos de distância. A partir da câmara de entrada, deserta, os Orcos começaram a se espalhar pelo templo, procurando qualquer sinal de resistência, enquanto Seth e seu pai aguardavam.

A Voz de J-VA não conseguia esconder sua irritação. Ele se sentia sujo, impuro, desde que lidou com a criança. Combates eram limpos, um duelo entre dois soldados, de preferência de habilidades equivalentes, em que a vontade divina e a força definiam quem venceria, quem morreria. Mas torturar e mutilar uma criança era algo que estava incomodando-o, mesmo sabendo que seguia a vontade de J-VA, mesmo sabendo que a maioria de seus soldados chamaria aquilo de diversão. A luta pela cidade, muito mais um extermínio de velhos e crianças que um combate de verdade, em nada ajudou a melhorar seu humor.

- Meu Rei, Lorde Seth, encontramos o sacerdote do templo - Um orco chegou até eles, arrastando um diminuto humano, e largou-o aos pés da Voz de J-VA.

- Como é seu nome, sacerdote?

- Hodekin, sacerdote e representante de JUS PATER na terra. Todo mal que me fizeres, será como se fizesse a JUS PATER, que vocês chamam de Z-US - as palavras soariam mais convincentes se o humano não estive quase histérico, os olhos dourados cheios de lágrimas, a voz esganiçada e trêmula.

- Um representante de Z-US, que enviaste, teve a cabeça arrancada por este machado. A outra teve a lingua cortada pela minha faca. A menina eu pude ver que era mais brava que você, sacerdote, e Z-US não fez nada para salvá-la. - e, pegando o diminuto humano pelo pescoço, erguendo-o até a altura de seu rosto, os olhos escuros do Orco fixos nos olhos dourados do sacerdote, continuou, a voz grave falando quase num murmúrio - onde está seu rei? Onde está Goldemar? Acaso ele está com tanto medo que veio se esconder em seu templo.

O sacerdote pareceu surpreso com a pergunta, e sem saber responder. Por fim, quando a Voz de J-VA aproximou a ponta de seu machado do olho direito de Hodekin, ele prometeu levá-los até o rei.

No subsolo do templo, para onde o sacerdote os levou, por pouco a Voz de J-VA não partiu a cabeça do humano ali mesmo, quando ele apontou para um imenso e fundo fosso no subsolo, uma armadilha com estacas de quase dois metros, escondida por um tapete e acionada por uma alavanca.

No fundo do fosso, com pelos menos três lanças trespassando seu corpo, jazia Goldemar, último dos grandes reis dos primeiros homens.

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