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domingo, 3 de junho de 2012

O Último Rei Orco XXI

A serpente os viu chegar. O deus chacal, e o deus de muitos braços. O deus chacal esteve antes ali, no primeiro bosque, e a serpente o observou, escondida na relva, insignificante demais para que ele se importasse com ela. Ela achou que ele não voltaria, muito menos trazendo companhia. O deus sem nome teria que ser avisado. Mas, primeiro, ela ficaria imóvel, ouvindo o que eles teriam a dizer.

- Você disse a verdade, N-BIS. A primeira árvore está morrendo, e com ela o primeiro bosque. Mesmo o primeiro lago estará seco, em alguns poucos dias. Não é como deveria ser.

- Parece que muitas coisas não são como você imaginava que deveriam ser, não é, grande V-NU?
Se V-NU percebeu o sarcasmo de N-BIS, ele não demonstrou, e respondeu com honestidade - Sim, de fato. Muitas coisas não são como deveriam ser, o que parece indicar que estão conectadas. Esta é a primeira era em que a árvore morrerá antes do tempo.

- E o que isto significa, V-NU, ó mais antigo dos deuses.

- O que significa? - V-NU ficou em silêncio alguns instantes, parecendo pensar, e quando respondeu, pareceu falar mais para si mesmo - difícil dizer. A primeira árvore é sempre plantada por mim, em geral em um bosque criado por algum dos primeiros deuses da era, às vezes uma encarnação de BRAH, às vezes algum deus da fertilidade, ou alguma encarnação do caos. Uma encarnação de SHIV, ou um deus da morte, traz o fim do bosque, após todo o universo colapsar, e é só neste instante que a árvore morre.

- Mas agora ela já está morrendo. Isto significa que esta era vai terminar mais cedo, ou que estamos rompendo o ciclo eterno de renascimentos?

- Eterno? - e V-NU riu - nada é eterno. Nem mesmo a eternidade.

- Mas o que irá acontecer, V-NU? Não queres me dizer?

- Oh, talvez eu quisesse lhe dizer, deus chacal, ou talvez não. Mas a resposta é mais simples. Eu não sei.

- Não sabe? E sua onisciência?

- Onisciência? Há tanto que você precisa aprender, N-BIS... Onisciência, como eternidade, é apenas uma palavra. Onisciência é apenas uma forma de dizer que eu sei mais que você.

- É, deus do centro? Pois parece que você nem sequer sabe mais que eu.

- Mesmo? Eu sei que você deixou de perceber algo quando esteve aqui antes, deus chacal - e V-NU se abaixou, rápido, e ao se levantar, trazia a serpente em uma de suas mãos.

- Uma serpente?

- Um guardião. E com proteções para esconder sua natureza - Diga-me, serpente, a quem você serve?

- Eu não sirvo a ninguém que tenha um nome, deus de muitos braços - a serpente se viu obrigada a falar, contra sua vontade, ao olhar nos olhos do deus.

- Ela está mentindo?

- Não N-BIS. Não tinhas percebido ainda? Não é fácil mentir na presença de V-NU. Diga-me, serpente, por que a árvore está morrendo?

- Ela está morrendo por que um de seus galhos foi arrancado. Ao ser arrancado, a árvore começou a apodrecer.

- E quem o arrancou?

- O nome que ele usava era Wotan.

- E ele ainda usa este nome?

- Não

- E por que nome ele é chamado agora?

- Ele não é chamado por nenhum nome mais.

- Isto não é verdade.

A serpente silvou, e então encarou com fúria os olhos do deus - É a minha verdade. É a única verdade que vai ter de mim, deus antigo.

Então, V-NU apertou sua mão, e a serpente começou a queimar. Ele deixou as cinzas cairem no chão.

- Vamos, deus chacal. Não há mais nada para fazer aqui.

- Você matou a serpente. Será que isto foi inteligente? Ela era nossa única pista para este ser, este Wotan de quem nunca ouvi o nome.

- Nós não precisamos de pistas. Lembra-se que você disse que eu era onisciente?

- E você disse que não existia onisciência.

- Não. Eu disse apenas que onisciência era saber mais do que os outros sabem. E eu sei mais que você, N-BIS. Eu sei quem é Wotan.

V-NU concluiu a frase enquanto ambos partiam para longe do primeiro bosque:

- É J-VA.

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