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domingo, 2 de dezembro de 2012

Sobrevivendo ao Holocausto Zumbi


   Eu acordei achando que estava morto. Ou pelo menos condenado. Mesmo assim, não me movi. Fiquei quieto, apenas tentando ouvir os sons ao meu redor.
   Holocausto zumbi. Como que tinha primeiro aparecido nos filmes? Como que todos já sabíamos exatamente como seria? Minha teoria preferida é que alguém já tinha visto os Zumbis, sabia o que podia acontecer, e como ninguém iria acreditar se ele apenas contasse, resolveu fazer filmes a respeito. O resto foi só outros imitando, até que virou parte da cultura popular. Talvez houvesse outra explicação. Não sei.
   Como que eu tinha sobrevivido? Abri os olhos. Estava caído, mas não parecia ferido. Provavelmente infectado, ia morrer em menos de duas horas e me transformar em um deles. Um pé passou na frente dos meus olhos. Olhei para cima, um zumbi estava olhando para baixo, para mim. Ele se virou e seguiu adiante.
   Eu e Paulo tínhamos saído da fortaleza, a munição estava acabando. Nos cobrimos com sangue e pedaços dos zumbis, a ideia era passar entre eles disfarçados, mas alguma coisa deu errado, então lembrei. Paulo falou alguma coisa para mim, e isto atraiu a atenção deles. Vozes humanas, não era só o cheiro que atraia eles.
  Nós corremos, pulamos do alto de uma casa no meio da rua, foi a última coisa que me lembro.
  Eu olho ao redor, devagar. Acho que movimentos bruscos também chamam a atenção deles. Paulo está no meu lado, olhando o vazio. Ele se vira para mim. Céus, é um deles, um Zumbi. Mas ele se vira para o outro lado.
  Porque ainda estou vivo? Então me dou conta, eu continuava coberto com pedaços de zumbis. O disfarce ainda estava funcionando.
  Eu me levantei lentamente, e eles me olharam. Dezenas. Eu tinha que pensar rápido.
  Eles não eram tão estúpidos quanto pareciam. Quando Paulo falou, eles souberam que ele estava vivo, mas eu não havia falado, meu disfarce ainda funcionava. Eu dou um grunhido, e eles se viram para outro lado. Deu certo.
  Eu me levanto e começo a caminhar, imitando o jeito deles. Depois de uns minutos parece natural. Então começo a grunhir, bem do jeito que eles fazem.
  Eu passo um tempo assim, um bom tempo, grunhindo e me misturando com eles. Vai ficando mais fácil, chego a perder o medo. Mas tenho que esperar. Duas horas pelo menos, ter certeza que não estou contaminado, antes de voltar para casa.
  É noite quanto consigo subir a escada que tem escondida, único jeito de entrar na nossa fortaleza. Sempre tem um vigia, para o dia que os zumbis descobrirem.
  Hoje é Laura, minha esposa.
  O perigo já passou, mais de duas horas acordado, nenhum zumbi me atacou, ninguém me seguiu. Eu corro na direção dela. Ela levanta a arma.
  Como fui idiota, ela podia me matar achando que eu era um Zumbi.
  Eu paro, levanto as mãos e abro a boca para dizer que sou eu, que estou bem. Que estou acordado faz mais de 2 horas, portanto também não estou infectado. Ouvindo minha voz ela vai saber, Zumbis não falam.
  E da minha boca só saí um grunhido. Eu me assusto, preciso falar, senão ela vai achar que sou um deles e disparar. Então, uma lufada de vento vem da direção dela, e posso sentir seu perfume, perfume para tentar disfarçar o cheiro de carne. Mas não consegue, da para sentir o cheiro de carne. Carne fresca. Carne fresca e apetitosa.
  Ela aperta o gatilho.

 * * *
  - Ele lembrou da escada. E o jeito que me olhou, parecia por um momento que estava me reconhecendo. Eu me pergunto se não havia um pouco dele, uma parte que ainda se lembrava de mim.
  - Acalme-se, Laura. Ele estava morto há semanas, o corpo semi-devorado pelos outros zumbis. Agora ele está em paz.


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