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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Despertar no Ano 50.000 1/6

      Eu abri os olhos, surpreso. Achei que nunca mais isto aconteceria, que eu nunca voltaria a vida. Quer dizer, eu poderia estar morto e no céu, ou em qualquer outro plano metafísico, mas sempre fui muito inteligente para acreditar nestas bobagens, para meu azar talvez.
   De todo modo, eu me levantei e olhei ao redor. Não me parecia que estava flutuando em uma nuvenzinha, nem tinha uma arpa na minha mão.
   - Onde eu estou? - Eu não falei para o vazio. Havia um jovem a minha frente, vestindo roupas normas, típicas do século XXI. Ele estava parado, sorrindo, com os braços ao lado do corpo. Estávamos em uma sala iluminada por uma lâmpada, com 4 paredes e uma porta, e nenhum móvel além da cama em que eu estava deitado.
   Muitas coisas me pareceram estranhas, de imediato. Eu não estava sentindo nenhum cansaço, nenhuma dor, na verdade me sentia melhor do que jamais me senti desde minha juventude. Havia algo de errado também na sala. Ela era por demais comum, por demais familiar. Até a lâmpada do teto parecia-me fora de contexto. Uma lâmpada incandescente? Já estávamos substituindo por lâmpadas frias antes mesmo de eu ser congelado. Isto só me deixou mais ansioso pela pergunta que realmente importava. A primeira frase da pessoa a minha frente nada fez para diminuir esta ansiedade.
   - Bom dia, homem do século XX.
   - Na verdade, acho que devo perguntar "Quando eu estou"?
   - De fato a primeira pergunta não é de todo relevante. De todo modo, estou à disposição para responder estas e quais outras perguntas que você tiver, porém devo alertá-lo que as respostas podem perturbá-lo. A familiaridade do ambiente ao seu redor é enganadora.
   - Já tinha percebido isto.
   - Realmente? Buscamos um ambiente dentro dos seus parâmetros de normalidade.
   - É, eu percebi. Está normal demais. Isto é um cenário, não é? Vocês só fizeram uma sala que parecesse familiar para alguém do século XXI?
   - Na verdade do século XX, que é a época que você nasceu, mas entendo que o século em que você foi congelado poderia ser mais relevante neste contexto. Mas, respondendo sua pergunta, dentro dos limites de sua compreensão dos fatos está é uma dedução impressionantemente adequada.
    - Então, em que ano estamos?
    - Estamos no que seria o ano 51.536 de sua era Cristã. Estou ignorando aspectos de distância e relatividade, que provavelmente não são relevantes considerando sua percepção da realidade. Estamos há 3 anos-luz de distância da Terra, na direção aproximada do centro da galáxia.
   - Quase 50.000 anos! Levaram este tempo todo para conseguir despertar pessoas congeladas?
   - De forma alguma. A tecnologia para isto já existe há pelo menos 40.000 anos. No entanto você é apenas uma das 10 pessoas que despertamos.
   - Só 10? Ninguém mais sobreviveu todo este tempo?
   - Na verdade existem 2,5 bilhões de humanos congelados. Tecnicamente falando eles não existem mais como corpos físicos, assim como você, mas suas existências ainda são mantidas. Na verdade, despertamos você pois precisamos de seu envolvimento neste processo.
   - Querem que eu ajude no processo de ambientar as pessoas, a medida que forem despertadas? - perguntei, confuso.
   - Na verdade, não. Não temos nenhuma intenção de despertá-las. Queremos lhe dar a chance de nos convencer a não destruir todos vocês.

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