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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Despertar no Ano 50.000 4/6

  
   Eu estava sentado com cinco pessoas ao redor de uma mesa, todas aparentando idades e raças diferentes. Nada disto era real, eu já sabia que era apenas para meu benefício.
   Eu passei horas conversando com Simon. Não consegui pensar em um nome melhor para ele. Personagens de ficção científica sempre têm nomes impronunciáveis, ou nomes americanos, e realmente, como ele havia dito, ele e seu povo eram muito mais estranhos que qualquer alienígena que já vi em algum filme. Chamá-lo de Pedro ou Paulo simplesmente me parecia comum demais para um ser tão estranho.
   - Simon, Homem do Século XX, podem começar - Coisa muito estranha. Eles simplesmente chamavam meu primeiro interlocutor pelo nome que dei para ele, mas se recusavam a me chamar pelo nome. Mesmo para Simon, eu era sempre o Homem do Século XX, apesar de ter  repetido meu nome várias vezes.
   - O Homem do Século XX fez muitas perguntas, mas ele não me disse o que deseja apresentar para o comitê de decisão. Disse que preferia falar diretamente para todos nós. É mais adequado que ele se expresse - Eu também já tinha entendido que estas não eram as palavras exatas deles, eles nem mesmo se comunicavam por palavras. Isto era uma tradução automática para o que Simon chamou de 'um nível de comunicação primitivo que permita uma compreensão mínima de sua parte'.
   Eu perguntei quantas pessoas existiam hoje no Universo, e Simon me respondeu que esta pergunta seria impossível de responder. Tanto pela indefinição do que seria uma pessoa - "todo ser humano hoje, se é que ainda faria sentido chamá-los de humanos, possuía inúmeras instâncias, simultaneamente existindo em diferentes partes do Universo. Algumas eram fusões de outras pessoas, outras eram derivações". Eu pensei em pessoas como processos executando em sistemas paralelos, e ele me disse que a analogia era adequada.
   Minha próxima pergunta foi quão importante eram estes cinco, e ele respondeu que não eram mais ou menos importantes que os outros trilhões de instâncias de pessoas. Eram apenas os únicos cinco que julgaram a continuidade da existência de mais de 2 bilhões de pessoas suficientemente importante para gastarem alguns minutos participando de uma discussão.
   - Senhores, vocês me despertaram para que eu participe do processo de decisão sobre a continuidade da existência de bilhões de seres humanos. Eu gostaria de perguntar quão difícil e quão caro seria dar a estes seres uma oportunidade de existirem?
   - Esta não é a questão em pauta - Um homem imenso, cabelos e barbas ruivas, sentado a minha esquerda, falou. Eu o apelidei mentalmente de Odin.
   - Não seja implicante Odin - mais uma surpresa. Bastou eu pensar em um nome, e já passavam a chamá-lo pelo mesmo. Claro, não deveria me surpreender, não era real, esta era apenas a tradução da conversa para meu 'meio primitivo de comunicação'.
   Eu apelidei a mulher que falou de Minerva. Realmente, nome de Deuses pareciam mais apropriados para eles, devia ter pensado nisto antes de dar um nome para Simon. Ela continuou - respondendo sua pergunta, o custo seria irrisório. Poderíamos facilmente garantir uma existência de séculos para todos os bilhões de humanos primitivos armazenados.
   - Muito bem. E vocês dizem que são moralmente mais avançados que as pessoas do meu tempo. Em nossa história, houve épocas em que tivemos contato com povos mais primitivos, e em alguns casos eles foram exterminados. Porém, quando eu fui congelado já estava bastante claro que erramos em tratar outros povos desta forma. Como vocês podem dizer que são mais avançados que nós, se estão prestes a cometer os mesmos erros que nós cometemos, milhares de anos atrás?
   Odin foi quem me respondeu - A comparação não é válida, Homem do Século XX. Vocês e os povos que você chama de primitivos estavam essencialmente no mesmo estágio evolutivo, vocês apenas tinham uma organização social e militar ligeiramente mais avançada. Uma comparação mais correta seria com todos os micróbios que você matou ao tomar um remédio. O seu povo percebia uma questão moral nisto?
   Era isto que se tornaram nossos descendentes? Para eles eramos, então, menos que insetos.
   - Nós somos seres humanos conscientes, não somos micróbios. Não é uma questão relativa, nem uma comparação entre nós e vocês. Pouco importa quão mais avançados vocês sejam, estamos falando de pessoas. Pessoas conscientes, que fizeram a aposta que um dia alguém teria tecnologia suficiente para revivê-los. Ninguém está dizendo que vocês não são imensamente mais avançados, mas...
   Eu parei de falar. Odin havia desaparecido.
   - O Homem do Século XX se irritou com a comparação. Ele entendeu que estávamos chamando-o de um micróbio - Minerva falou.
   - Isto é inútil, ele não tem nada a acrescentar ao que os anteriores disseram - um homem que eu ainda não tinha dado o nome desapareceu também. Eu percebi que a audiência estava prestes a chegar ao fim.
   E eu estava perdendo.

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