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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ardath em: o Velho e o Demônio 6/6


Lúcifer
   Sozinho, eu não teria a menor ideia de como encontrar Lucifer. Cada encontro com ele era em um lugar diferente, e parecia que só Kalith e Kabet sabiam onde ele estava em determinado momento. Quando perguntei, Kabet me disse que era para nenhum anjo localizá-lo.
   "Existe um acordo que nenhum anjo pode atacá-lo diretamente, mas Lúcifer acha que eles irão descumpri-lo na primeira oportunidade que ele se descuidar", ele me disse. Achei estranho.
   Diferente de Kabet, que apenas mandava eu segui-lo enquanto caminhava pelo mundo das sombras, Kalith segurava minha mão na sua quando era ela a me levar. Eu não gostava, mas não via muito sentido em protestar.
   Quando saímos das sombras, bem no meio de uma sala mal iluminada, cheia de computadores e algumas pessoas, Kabet já estava a nossa espera.
   - Uma lan-house? - Eu sabia que ninguém podia nos ver ou ouvir, por isto falei em voz alta - nós vamos encontrar Lúcifer em uma lan-house?
   - Quer um lugar melhor para demonstrar a obra dele? Ou você acha que foram os anjos que inventaram os computadores? - Sem saber se Kabet estava falando sério, eu preferi ficar em silêncio. Tantas coisas que os demônios diziam como brincadeiras acabavam se mostrando mais verdadeiras do que eu poderia imaginar, que era impossível separar as piadas das verdades.
   Kalith continuava segurando minha mão. Eu tentei soltar, mas ela apenas segurou mais firme, e caminhou comigo, Kabet atrás, até uma sala, descendo uma escada.
   Ela me soltou para abrir a porta, e eu coloquei as mãos nos bolsos, para que ela não pudesse pegá-las novamente, e entrei.
   Havia uma mesa, duas cadeiras, ambas ocupadas. Teríamos que ficar de pé. Em uma das cadeiras estava Lúcifer, parecendo um homem de talvez 30 anos. Ele tinha uma aparência diferente cada vez que eu o via. A outra cadeira estava ocupada por alguém com uma capa, o capuz sobre a cabeça. Alguma coisa impedia-me de ver quem era, como se um holofote de escuridão em vez de luz estivesse projetando em cima da pessoa. Ou do que quer que a criatura fosse.
   - Você demorou - a voz de Lúcifer era melodiosa, parecia vir de um anjo. Bom, ele era um anjo, pensei me silêncio.
   Kalith respondeu antes que eu pudesse falar - Ele foi ferido. Por isto demoramos.
   - E sua missão? O velho está morto, como eu mandei?
   - Sim - falei sem hesitar, e não disse mais nada. Quanto menos falasse, melhor, eu achei.
   - É mesmo? Você não hesitou, nem decidiu mudar de ideia? Não teve nenhum impulso suicida de me desobedecer e deixá-lo viver?
   - Não. Eu fiz o que você mandou - Levei dias para parar de chamá-lo de senhor. Kabet me avisou que isto poderia deixá-lo muito zangado. De todo modo respondi novamente tranquilo, tentando ignorar meu coração que batia cada vez mais acelerado. Kabet havia me garantido que nem Lúcifer nem ninguem podia ler os pensamentos de uma pessoa.
   - Aposto que sim. Lucy?
   A garota tirou seu capuz e olhou para ele - Ele nem tentou matar papai. O velho até se prestou a se cortar e esparramar sangue no garoto. Me enganou quando eu o vi - ela virou o rosto para mim, sorrindo - Desculpe pela faca. Foi mal. Espero que não tenha machucado.
   "Imagine. É divertido ver suas próprias tripas saindo para fora do corpo". Eu não respondi. Estava mais preocupado com o que ia acontecer agora.
   - E então meu jovem? Alguma coisa mais a dizer? - Lúcifer inclinou a cabeça para o lado enquanto falava. Eu abaixei a cabeça por um instante, o coração batendo ainda mais acelerado, os olhos começando a lacrimejar. Então levantei a cabeça e olhei bem nos olhos dele.
   - Quer saber, eu sou um péssimo demônio. Eu nunca quis ser. E por mais que todos sejam engraçados e brinquem e contem piadas, vocês estão o tempo todo matando pessoas, e eu não quero fazer isto.
   Então me calei. E Lúcifer riu. Então se levantou e começou novamente a falar.
   - Sabe o que aconteceria se você tivesse se tornado um anjo? Eles também matam pessoas, sabia? Você seria condenado agora. Deus não aceita desobediência. Anjos não aceitam desobediência. Sua sorte é que eu não sou mais um anjo.
   E ele continuou.
   - O que todos vocês esquecem é que meu grande crime foi dar o livre arbítrio a vocês, fazê-los conhecer o bem e o mal. Você acha que eu iria puni-lo por mentir? Por me desobedecer? Eu sou o rei das mentiras, o primeiro desobediente - Ele aproximou o rosto do meu - se tivesse matado seu antecessor, eu o deixaria voltar para sua mãe, e viver toda sua vida mortal, e nunca mais nenhum anjo ou demônio o procuraria. Isto já aconteceu antes.
   Era tudo que eu gostaria. Poder voltar para casa, para minha mãe. Me afastar dos demônios e suas mortes e violência. Lúcifer, porém, falava como se estivesse me parabenizando.
   - Você é exatamente o demônio que eu quero que você seja, Ardath. Você fez a coisa certa, e seu espaço está garantido entre os meus.

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