Era como se ela estivesse sonhando, e nada fosse real. Como se não estivesse caminhando na verdadeira Asikli Hoyuk em que viveu toda sua vida, mas em uma outra, uma cópia distorcida.
Seu pai estava ali, e tudo que ela queria era correr e abraçá-lo, que tudo ficaria bem, mas parecia que seus passos, seus próprios pensamentos, eram guiados por uma outra vontade, e ela se afastou sem olhar para ele.
Em algum lugar muito pequeno, dentro de sua mente, Hina tentava despertar, mas não conseguia.
Seu irmão, cego, seguia a seu lado, segurando firme sua mão, e descrevia o que percebia ao redor, tanto no presente quanto no futuro. A voz, lenta e monótona, parecia vir de um ser sem vida, sem alma.
- Ao abrir os portões, Orcos virão correndo, armados de machados e espadas. Antes mesmo deles chegarem, flechas já estarão caindo sobre nós. - Ele falou, quando pararam na frente dos portões da cidade.
- Nenhuma flecha nos atingirá - Hina falou, a voz firme e grave não era sua - Nenhum orco ultrapassará o portão.
Os portões se abriram, e eles caminharam para fora das muralhas da cidade.
- Seth, filho de Makel, virá em nossa direção e nos atacará com sua espada. Ele acertará você primeiro, depois a mim.
- Seth largará sua espada, sem nos fazer mal, e nos levará até seu pai, o Rei Makel.
Mais frases Tuna falou com uma voz que não era sua, e para cada uma, Hina respondeu com um comando, quase sem perceber, sem lembrar. Quando deu por si, estava na frente do Rei dos Orcos.
- Iremos parar na frente de... - pela primeira vez, a voz de Tuna faltou, e quando ele recomeçou a falar, sua voz já não era convicta - haverá um... alguém... que falará algo...
- Rei Makel, dos Orcos, ajoelhe-se ante os filhos de JUS PATER - Hina ouviu estas palavras sairem de seus lábios.
E então uma pergunta lhe foi feita, e ela respondeu. E algo aconteceu. Algo muito errado.
E Hina despertou de seu quase sono divino.
E começou a gritar.
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Confira os contos finalizados e revisados de:
FICÇÃO CIENTÍFICA - FANTASIA - TERROR.
sábado, 28 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Último Rei Orco X
Quando as crianças sairam do Templo, toda uma tarde e toda uma noite haviam passado. Fora, ao lado da porta, um Rei rezava, ajoelhado. Ele deveria estar rezando por seu povo, deveria estar rezando pela vitória dos Homens e derrota dos Orcos.
Ele rezava por seus filhos.
O Rei se levantou, e olhou para as crianças, e depois para o sacerdote, Hodekin, que seguia atrás delas. Tuna trazia uma faixa envolvendo seus olhos, e segurava a mão de sua irmã, que o guiava. Hina tinha o olhar distante, perdido no horizonte. Nenhum dos dois pareceu perceber a presença de seu pai. Apenas o sacerdote olhou para o Rei, um leve sorriso em seu rosto.
- O que você fez com eles, Hodekin?
- Eu, meu Rei? Eu sou apenas um instrumento do poderoso JUS. E agora, também elas o são.
- Tuna, Hina, vocês estão bem. - Nenhuma das crianças lhe respondeu, e elas seguiram em frente, caminhando lentamente, em direção a muralha norte.
- Não as distraia, meu Rei. Elas são agora os olhos e a voz de JUS PATER. Deixe-as ir, enfrentar o Rei dos Orcos.
- E quando o enfrentarem, o que será delas, depois?
- Isto não cabe a mim dizer, meu Rei.
Ele rezava por seus filhos.
O Rei se levantou, e olhou para as crianças, e depois para o sacerdote, Hodekin, que seguia atrás delas. Tuna trazia uma faixa envolvendo seus olhos, e segurava a mão de sua irmã, que o guiava. Hina tinha o olhar distante, perdido no horizonte. Nenhum dos dois pareceu perceber a presença de seu pai. Apenas o sacerdote olhou para o Rei, um leve sorriso em seu rosto.
- O que você fez com eles, Hodekin?
- Eu, meu Rei? Eu sou apenas um instrumento do poderoso JUS. E agora, também elas o são.
- Tuna, Hina, vocês estão bem. - Nenhuma das crianças lhe respondeu, e elas seguiram em frente, caminhando lentamente, em direção a muralha norte.
- Não as distraia, meu Rei. Elas são agora os olhos e a voz de JUS PATER. Deixe-as ir, enfrentar o Rei dos Orcos.
- E quando o enfrentarem, o que será delas, depois?
- Isto não cabe a mim dizer, meu Rei.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
O Último Rei Orco IX
Tuna e Hina, o filho homem e a filha mulher do Rei Goldemar entraram no templo de mãos dadas, duas crianças de nove anos, trazidas por Sharazin, uma criada. Seu pai as aguardava, incapaz de esconder a preocupação estampada em seu rosto. Ao seu lado, o sacerdote de JUS PATER, Hodekin, abriu um sorriso ao vê-los.
- Aproxime-se, Tuna, filho do Rei Goldemar e príncipe dos homens. Aproxime-se Hina, filha do Rei Goldemar e princesa dos homens - a voz de Hodekin, melodiosa, combinando com seu sorriso, como se estivesse feliz em vê-los.
As crianças se aproximaram em silêncio, e pararam a um passo de sacerdote, sempre de mãos dadas.
- Crianças, vocês sabem que os Orcos cercam Asikli Hoyuk, a primeira cidade dos homens?
Hina respondeu apenas com um aceno de sua cabeça, enquanto Tuna permaneceu imóvel.
- Digam-me, então, crianças. Eles conseguirão entrar pelos nossos portões? Conseguirão destruir o último templo de JUS e por fim a raça dos homens?
- Não. - Hina respondeu de imediato, a voz firme, os olhos encarando fixamente o sacerdote. Tuna abaixou seu rosto.
- E como você tem tanta certeza, criança?
- Serão os homens a herdar a terra, sacerdote, não os Orcos. Foi a palavra de Jus Pater, e a palavra dele é a verdade. - uma vez mais, Hina respondeu de imediato.
- Ah, a voz de uma criança carrega mais sabedoria que a voz de um rei. Não concorda, Rei Goldemar?
- Ainda não me disse por que as crianças foram chamadas, Hodekin. Foi apenas para continuar a me provocar?
- Ah, não, meu Rei, eu não lhe disse que elas seriam nossa salvação? Elas serão a visão e a voz de JUS PATER na terra. Esta noite serão purificadas, e amanhã, enfrentarão e, com o poder do mais poderoso dos deuses, destruirão o Rei dos Orcos para sempre.
- Aproxime-se, Tuna, filho do Rei Goldemar e príncipe dos homens. Aproxime-se Hina, filha do Rei Goldemar e princesa dos homens - a voz de Hodekin, melodiosa, combinando com seu sorriso, como se estivesse feliz em vê-los.
As crianças se aproximaram em silêncio, e pararam a um passo de sacerdote, sempre de mãos dadas.
- Crianças, vocês sabem que os Orcos cercam Asikli Hoyuk, a primeira cidade dos homens?
Hina respondeu apenas com um aceno de sua cabeça, enquanto Tuna permaneceu imóvel.
- Digam-me, então, crianças. Eles conseguirão entrar pelos nossos portões? Conseguirão destruir o último templo de JUS e por fim a raça dos homens?
- Não. - Hina respondeu de imediato, a voz firme, os olhos encarando fixamente o sacerdote. Tuna abaixou seu rosto.
- E como você tem tanta certeza, criança?
- Serão os homens a herdar a terra, sacerdote, não os Orcos. Foi a palavra de Jus Pater, e a palavra dele é a verdade. - uma vez mais, Hina respondeu de imediato.
- Ah, a voz de uma criança carrega mais sabedoria que a voz de um rei. Não concorda, Rei Goldemar?
- Ainda não me disse por que as crianças foram chamadas, Hodekin. Foi apenas para continuar a me provocar?
- Ah, não, meu Rei, eu não lhe disse que elas seriam nossa salvação? Elas serão a visão e a voz de JUS PATER na terra. Esta noite serão purificadas, e amanhã, enfrentarão e, com o poder do mais poderoso dos deuses, destruirão o Rei dos Orcos para sempre.
terça-feira, 24 de abril de 2012
O Último Rei Orco VIII
O Rei Goldemar, senhor de Asikli Hoyuk e único dos Grandes Reis dos Primeiros Homens que ainda vivia, entrou apressado pelas portas do templo de JUS, aquele que os Orcos chamavam de Z-US. À sua espera, Hodekin, sacerdote e representante na terra do poderoso deus.
- É um prazer vê-lo no tempo de JUS, meu Rei. É uma pena que suas visitas são tão raras. JUS já começa a duvidar de sua fé e questionar se seus atos de louvor são sinceros.
- Não temos tempo para pregações, sacerdote. Os Orcos cercaram a cidade e nos atacarão a qualquer momento. Nossas muralhas não os deterão para sempre.
- Ah, nobre Rei, então não foi a fé que o trouxe aqui, mas o medo. O temor é uma dádiva dívina, mas se temes mais os Orcos e seu deus menor que o grande JUS PATER, nosso pai, então todos temos razão para nos preocuparmos. Quando a fé de um Rei falha, todo seu povo corre perigo.
- Agora zombas de mim, sacerdote? Uma a uma, as cidades dos homens cairam. Acaso eles também não eram filhos de JUS? E o que acontecerá quando Asikli Hoyuk, a primeira cidade dos homens, cair? Quem irá louvar JUS, então? Ele virará um deus menor, caído aos pés do J-VA dos Orcos?
- Contenha suas palavras, Rei Goldemar! - A voz de Hodekin agora mais alta que a do Rei - Estás na casa do poderoso JUS PATER, cujo poder é infinitamente maior que o seu. JUS PATER cuja palavra é a verdade. Não blasfeme novamente nesta casa.
No silêncio que se seguiu, ambos, rei e sacerdote, se encararam. O Rei Goldemar foi o primeiro a abaixar os olhos. Respirou fundo e falou em voz mais contida.
- Perdoe-me se minhas palavras ofenderam a JUS PATER, mas elas não são menos sinceras por serem ofensivas. O que será de nosso deus, se a última cidade dos homens cair? Ele tem que nos salvar, nesta que é a hora mais desesperada de seu povo.
- Não pense que nada tenho feito. Eu orei a nosso deus por toda esta manhã, meu Rei. Três virgens dançaram aos sons da primeira canção, enquanto eu perguntava o que deveríamos fazer, e cada uma com uma voz me deu uma resposta.
- O que elas disseram? O que devemos fazer?
- O que elas disseram é destinado apenas ao ouvido dos mais santos entre os homens. O que você deve fazer, porém, meu Rei, eu posso lhe dizer. Traga seus dois filhos aqui, agora! Eles são a chave de nossa salvação. Eles, com sua fé e a palavra de JUS PATER, têm o poder de vencer o Rei dos Orcos.
- É um prazer vê-lo no tempo de JUS, meu Rei. É uma pena que suas visitas são tão raras. JUS já começa a duvidar de sua fé e questionar se seus atos de louvor são sinceros.
- Não temos tempo para pregações, sacerdote. Os Orcos cercaram a cidade e nos atacarão a qualquer momento. Nossas muralhas não os deterão para sempre.
- Ah, nobre Rei, então não foi a fé que o trouxe aqui, mas o medo. O temor é uma dádiva dívina, mas se temes mais os Orcos e seu deus menor que o grande JUS PATER, nosso pai, então todos temos razão para nos preocuparmos. Quando a fé de um Rei falha, todo seu povo corre perigo.
- Agora zombas de mim, sacerdote? Uma a uma, as cidades dos homens cairam. Acaso eles também não eram filhos de JUS? E o que acontecerá quando Asikli Hoyuk, a primeira cidade dos homens, cair? Quem irá louvar JUS, então? Ele virará um deus menor, caído aos pés do J-VA dos Orcos?
- Contenha suas palavras, Rei Goldemar! - A voz de Hodekin agora mais alta que a do Rei - Estás na casa do poderoso JUS PATER, cujo poder é infinitamente maior que o seu. JUS PATER cuja palavra é a verdade. Não blasfeme novamente nesta casa.
No silêncio que se seguiu, ambos, rei e sacerdote, se encararam. O Rei Goldemar foi o primeiro a abaixar os olhos. Respirou fundo e falou em voz mais contida.
- Perdoe-me se minhas palavras ofenderam a JUS PATER, mas elas não são menos sinceras por serem ofensivas. O que será de nosso deus, se a última cidade dos homens cair? Ele tem que nos salvar, nesta que é a hora mais desesperada de seu povo.
- Não pense que nada tenho feito. Eu orei a nosso deus por toda esta manhã, meu Rei. Três virgens dançaram aos sons da primeira canção, enquanto eu perguntava o que deveríamos fazer, e cada uma com uma voz me deu uma resposta.
- O que elas disseram? O que devemos fazer?
- O que elas disseram é destinado apenas ao ouvido dos mais santos entre os homens. O que você deve fazer, porém, meu Rei, eu posso lhe dizer. Traga seus dois filhos aqui, agora! Eles são a chave de nossa salvação. Eles, com sua fé e a palavra de JUS PATER, têm o poder de vencer o Rei dos Orcos.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O Último Rei Orco VII
A voz de J-VA, Aquele que um dia foi o Último Rei dos Orcos aproximou-se de seus filhos, do que vivia e do que estava morto.
- Deixe Cãn partir. Mais nenhum sangue de In ou de El será derramado esta noite.
Seth foi o primeiro a se ajoelhar ante o milagre a sua frente, seguido em instantes por todos os Orcos, enquanto olhavam, admirados, para seu Rei.
- Meu pai, como é possível? Seus olhos, sua mão? Cãn disse que o viu morrer em seu sonho. - A visão era assombrosa. O Rei parado, os Orcos ajoelhados a seu redor. Sua mão esquerda tão perfeita quanto a direita, seus olhos intactos, sem cicatrizes, como se ele nunca houve usado o olho do dragão.
- Cãn disse a verdade! Makel, Último Rei dos Orcos, está morto. Eu sou a voz de J-VA. Eu fiz a última viagem, a viagem da qual não há retorno, e retornei.
- Mas Cãn matou Ab, meu pai, e agora mesmo desaparece de nossa vista, à distância. Deixe-me trazê-lo para seu julgamento.
- Não. Ele deve partir. Ele e a tribo de In. Eu vi as visões que apenas os mortos vêem, eu soube verdades que não pertencem ao mundo dos vivos. Cãn e sua tribo devem partir, Seth, esta é a vontade de J-VA. Sete mortes J-VA trará para aquele que matar Cãn ou qualquer um de sua tribo, e nós não queremos esta maldição para nós.
- Então a morte trouxe de volta meu pai e levou meu irmão. Ab deu sua vida por mim, mas daria dez vezes por você, meu pai.
Aquele que foi o último Rei dos Orcos não respondeu. Ele se aproximou e se ajoelhou ao lado do corpo de seu filho morto, sua mão direita puxando um cantil que estava amarrado em sua cintura, para em seguida derramar um punhado de água cristalina no rosto ensanguentado.
- Esta é a água do primeiro lago. Ela lhe dá um novo nome, lhe dá uma nova vida.
- Você agora tem poder para levantar os mortos, meu pai? - Seth perguntou. Aquele que um dia foi Makel olhou para o corpo a seu lado, como se esperasse para saber como responderia a pergunta.
A voz de J-VA então se levantou - Se fosse para Ab viver novamente, ele se levantaria e nos seguiria. Ao que parece ele não nos seguirá para Asikli Hoyuk.
-Asikli Hoyuk? Então a última batalha irá começar.
- Ouça-me, Seth. Ouça-me todos, pois minhas palavras são as palavras de J-VA. Iremos a Asikli Hoyuk, exterminar os humanos de uma vez por todas. Nenhum homem deve sobreviver, e nenhuma mulher que possa trazer um homem em sua barriga. Então, matem agora todos os rapazes, e também todas as mulheres que já alguma vez se tenham deitado com um homem; as restantes deixem-nas em vida e podem levá-las convosco, pois elas não poderão gerar filhos homens. Estas foras as palavras de J-VA, que agora repito a vocês, meu povo.
E assim, a voz de J-VA, que um dia foi o Rei Orco, partiu, com seu exercito, para o último bastião do homem.
Só muito depois, quando já era noite novamente, Ab El despertou de sua morte, confuso, e partiu também, mas sem rumo e sem saber por que vivia.
Ele não voltaria a encontrar seu pai.
- Deixe Cãn partir. Mais nenhum sangue de In ou de El será derramado esta noite.
Seth foi o primeiro a se ajoelhar ante o milagre a sua frente, seguido em instantes por todos os Orcos, enquanto olhavam, admirados, para seu Rei.
- Meu pai, como é possível? Seus olhos, sua mão? Cãn disse que o viu morrer em seu sonho. - A visão era assombrosa. O Rei parado, os Orcos ajoelhados a seu redor. Sua mão esquerda tão perfeita quanto a direita, seus olhos intactos, sem cicatrizes, como se ele nunca houve usado o olho do dragão.
- Cãn disse a verdade! Makel, Último Rei dos Orcos, está morto. Eu sou a voz de J-VA. Eu fiz a última viagem, a viagem da qual não há retorno, e retornei.
- Mas Cãn matou Ab, meu pai, e agora mesmo desaparece de nossa vista, à distância. Deixe-me trazê-lo para seu julgamento.
- Não. Ele deve partir. Ele e a tribo de In. Eu vi as visões que apenas os mortos vêem, eu soube verdades que não pertencem ao mundo dos vivos. Cãn e sua tribo devem partir, Seth, esta é a vontade de J-VA. Sete mortes J-VA trará para aquele que matar Cãn ou qualquer um de sua tribo, e nós não queremos esta maldição para nós.
- Então a morte trouxe de volta meu pai e levou meu irmão. Ab deu sua vida por mim, mas daria dez vezes por você, meu pai.
Aquele que foi o último Rei dos Orcos não respondeu. Ele se aproximou e se ajoelhou ao lado do corpo de seu filho morto, sua mão direita puxando um cantil que estava amarrado em sua cintura, para em seguida derramar um punhado de água cristalina no rosto ensanguentado.
- Esta é a água do primeiro lago. Ela lhe dá um novo nome, lhe dá uma nova vida.
- Você agora tem poder para levantar os mortos, meu pai? - Seth perguntou. Aquele que um dia foi Makel olhou para o corpo a seu lado, como se esperasse para saber como responderia a pergunta.
A voz de J-VA então se levantou - Se fosse para Ab viver novamente, ele se levantaria e nos seguiria. Ao que parece ele não nos seguirá para Asikli Hoyuk.
-Asikli Hoyuk? Então a última batalha irá começar.
- Ouça-me, Seth. Ouça-me todos, pois minhas palavras são as palavras de J-VA. Iremos a Asikli Hoyuk, exterminar os humanos de uma vez por todas. Nenhum homem deve sobreviver, e nenhuma mulher que possa trazer um homem em sua barriga. Então, matem agora todos os rapazes, e também todas as mulheres que já alguma vez se tenham deitado com um homem; as restantes deixem-nas em vida e podem levá-las convosco, pois elas não poderão gerar filhos homens. Estas foras as palavras de J-VA, que agora repito a vocês, meu povo.
E assim, a voz de J-VA, que um dia foi o Rei Orco, partiu, com seu exercito, para o último bastião do homem.
Só muito depois, quando já era noite novamente, Ab El despertou de sua morte, confuso, e partiu também, mas sem rumo e sem saber por que vivia.
Ele não voltaria a encontrar seu pai.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O Último Rei Orco VI
- Junte-se a nós ou saia do caminho.
Seth permaneceu imóvel, a ponta da espada encostando no chão, as pernas ligeiramente abertas, os olhos fixos em seu irmão mais velho. Ao seu lado, seu irmão do meio, Ab, de braços cruzados, apoiava-o simplesmente por estar ali, ao seu lado. Atrás de Cãn, todos de sua tribo aguardavam.
- O Rei disse para esperarmos, Cãn. Ele disse para esperarmos o tempo que fosse necessário, que ele voltaria para nos liderar no ataque a Asikli Hoyuk. Sua palavra é a lei para todas as tribos, inclusive a tribo de El. Inclusive a tribo de In.
- Um Rei Louco? Um Rei que arrancou o próprio olho? Que matou sua própria mulher? A tribo de In não segue um Rei destes.
- Makel uniu a todas as tribos, e todas juraram segui-lo enquanto ele vivesse. As tribos de In e El, mais que todas as outras, pois não foi destas tribos que ele desposou as mulheres e gerou a nós, seus filhos e filhas? Não foram as tribos de In e El que fizeram o juramento de sangue, o juramento de serem amaldiçoadas se um dia abandonassem seu Rei? Não trazemos todos a marca de Makel?
- Makel está morto
- Como ousa - Ab gritou e teria atacado ali mesmo seu irmão mais velho, a mão quase puxando a espada, mas a voz de Seth o deteve. - Pare!
Seth então olhou para o mais velho dos filhos do Rei Makel, sua espada ainda encostando a ponta no chão, os braços ainda aparentemente relaxados.
- Apenas nove dias se passaram desde que o Rei ordenou que esperassemos seu retorno. E nós esperaremos. Ele está vivo e ele retornará.
- Makel está morto - Cãn repetiu.
- Apenas nove dias e a tribo de In já enterrou vivo o seu Rei? Esta é toda a fé que vocês têm? - Seth olhou com desprezo para os seguidores de Cãn - A tribo de El esperará por todos os dedos da mão de cada um de seus guerreiros, e ainda assim acreditará no retorno de seu Rei. O inverno virá, trazendo neve e fome, e quando o verão retornar, ainda encontrará a tribo de El esperando seu Rei. E ele virá!
- Makel está morto - Cãn repetiu pela terceira vez.
- Como ousa dizer isto. Como ousa abandonar seu Rei?
- Esta noite, Seth El, filho de Mak El, esta noite eu sonhei com nosso pai. Eu sonhei que ele arrancou seu olho, o olho que lhe restava. Sonhei que ele comeu ambrosia. E sonhei que ele mergulhou no primeiro lago. Eu sonhei e em meu sonho, Makel morreu.
- Um falso sonho.
- Quando acordei, um corvo estava aos pés de minha cama. E todos sabem que os corvos trazem os sonhos verdadeiros.
- Este trouxe um sonho falso.
- Ele não trouxe apenas um sonho - E Cãn puxou um objeto de dentro de suas roupas, e jogou aos pés de Seth.
Quando percebeu o que era, Seth se abaixou e segurou, agachado, o objeto em sua mão. A espada, esquecida, caindo na relva. O objeto era um olho, e Seth soube instintivamente que era o olho que restara a seu pai. E soube também que o Rei estava morto.
Um movimento, Seth então mais sentiu do que viu, e soube que era a espada de Cãn, descendo em sua direção. Soube também que não conseguiria se desviar a tempo da mesma.
Um corpo então se jogou sobre ele, derrubando-o e ficando no caminho da lâmina, e Seth ouviu o grito de Ab, um grito interrompido subitamente.
Quando Seth se levantou, um golpe o atingiu na cabeça, e a escuridão dominou seu mundo.
Abriu os olhos para um mar de dor e sangue, e sentiu que um tempo havia se passado. Orcos da tribo de El o acudiam. Ele os empurrou e se levantou, apenas para ver, quando se afastaram, o corpo de seu irmão, Ab El, o pescoço quase arrancado, o rosto em um sorriso desfigurado, caído sobre uma poça de sangue.
À distância, Cãn e sua tribo caminhavam em direção ao horizonte. Ainda tonto, Seth pegou sua espada no chão, pronto para ir atrás de seu irmão.
Foi quando a voz de um morto o deteve.
Seth permaneceu imóvel, a ponta da espada encostando no chão, as pernas ligeiramente abertas, os olhos fixos em seu irmão mais velho. Ao seu lado, seu irmão do meio, Ab, de braços cruzados, apoiava-o simplesmente por estar ali, ao seu lado. Atrás de Cãn, todos de sua tribo aguardavam.
- O Rei disse para esperarmos, Cãn. Ele disse para esperarmos o tempo que fosse necessário, que ele voltaria para nos liderar no ataque a Asikli Hoyuk. Sua palavra é a lei para todas as tribos, inclusive a tribo de El. Inclusive a tribo de In.
- Um Rei Louco? Um Rei que arrancou o próprio olho? Que matou sua própria mulher? A tribo de In não segue um Rei destes.
- Makel uniu a todas as tribos, e todas juraram segui-lo enquanto ele vivesse. As tribos de In e El, mais que todas as outras, pois não foi destas tribos que ele desposou as mulheres e gerou a nós, seus filhos e filhas? Não foram as tribos de In e El que fizeram o juramento de sangue, o juramento de serem amaldiçoadas se um dia abandonassem seu Rei? Não trazemos todos a marca de Makel?
- Makel está morto
- Como ousa - Ab gritou e teria atacado ali mesmo seu irmão mais velho, a mão quase puxando a espada, mas a voz de Seth o deteve. - Pare!
Seth então olhou para o mais velho dos filhos do Rei Makel, sua espada ainda encostando a ponta no chão, os braços ainda aparentemente relaxados.
- Apenas nove dias se passaram desde que o Rei ordenou que esperassemos seu retorno. E nós esperaremos. Ele está vivo e ele retornará.
- Makel está morto - Cãn repetiu.
- Apenas nove dias e a tribo de In já enterrou vivo o seu Rei? Esta é toda a fé que vocês têm? - Seth olhou com desprezo para os seguidores de Cãn - A tribo de El esperará por todos os dedos da mão de cada um de seus guerreiros, e ainda assim acreditará no retorno de seu Rei. O inverno virá, trazendo neve e fome, e quando o verão retornar, ainda encontrará a tribo de El esperando seu Rei. E ele virá!
- Makel está morto - Cãn repetiu pela terceira vez.
- Como ousa dizer isto. Como ousa abandonar seu Rei?
- Esta noite, Seth El, filho de Mak El, esta noite eu sonhei com nosso pai. Eu sonhei que ele arrancou seu olho, o olho que lhe restava. Sonhei que ele comeu ambrosia. E sonhei que ele mergulhou no primeiro lago. Eu sonhei e em meu sonho, Makel morreu.
- Um falso sonho.
- Quando acordei, um corvo estava aos pés de minha cama. E todos sabem que os corvos trazem os sonhos verdadeiros.
- Este trouxe um sonho falso.
- Ele não trouxe apenas um sonho - E Cãn puxou um objeto de dentro de suas roupas, e jogou aos pés de Seth.
Quando percebeu o que era, Seth se abaixou e segurou, agachado, o objeto em sua mão. A espada, esquecida, caindo na relva. O objeto era um olho, e Seth soube instintivamente que era o olho que restara a seu pai. E soube também que o Rei estava morto.
Um movimento, Seth então mais sentiu do que viu, e soube que era a espada de Cãn, descendo em sua direção. Soube também que não conseguiria se desviar a tempo da mesma.
Um corpo então se jogou sobre ele, derrubando-o e ficando no caminho da lâmina, e Seth ouviu o grito de Ab, um grito interrompido subitamente.
Quando Seth se levantou, um golpe o atingiu na cabeça, e a escuridão dominou seu mundo.
Abriu os olhos para um mar de dor e sangue, e sentiu que um tempo havia se passado. Orcos da tribo de El o acudiam. Ele os empurrou e se levantou, apenas para ver, quando se afastaram, o corpo de seu irmão, Ab El, o pescoço quase arrancado, o rosto em um sorriso desfigurado, caído sobre uma poça de sangue.
À distância, Cãn e sua tribo caminhavam em direção ao horizonte. Ainda tonto, Seth pegou sua espada no chão, pronto para ir atrás de seu irmão.
Foi quando a voz de um morto o deteve.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O Último Rei Orco V
Foi no amanhecer de um novo dia que Makel chegou ao primeiro bosque, e parou a beira do primeiro lago e aos pés da primeira árvore. Seus galhos estavam secos, e apenas uma fruta era visível, perfeitamente redonda e ao alcance da mão.
- Ela está morrendo, apodrecendo por dentro, desde que Wotan arrancou um de seus galhos.
O Rei Orco se virou na direção da voz.
- Quem é você? - e ao ver a estranha criatura que parecia um lagarto sem pernas, sobre a rocha, continuou - O que é você?
- Quem eu sou - a voz sibilante lhe respondeu - Apenas um humilde servo de J-VA, e o guardião do primeiro bosque, agora que as Nornir partiram.
- Servo de J-VA? Então você sabe por que estou aqui?
- É claro que sei, último Rei dos Orcos. Você veio pela mesma razão de todos que vieram à árvore de todo o conhecimento, tanto do bem quanto do mal. Você veio em busca de respostas. E veio também para morrer, é claro.
O Rei ficou em silêncio, por alguns segundos, e então falou - Sim, eu também vim para morrer, se esta é a vontade de J-VA.
- Então pegue a faca de pedra, como lhe foi dito, Último Rei dos Orcos. Ela está a seus pés, onde foi deixada por Wotan, que veio antes de você, também em busca da verdade. Ele mostrou que estava disposto a pagar o preço. E você?
O Rei Orco olhou para baixo, e então se abaixou e pegou uma faca que jazia a seus pés, como a criatura havia lhe dito.
- Eu pagarei todos os preços que houver para pagar.
- Então, deixe-me ajudá-lo a cumprir seu destino. - E a criatura deslizou da pedra para o chão, e do chão para o pé de Makel, se enroscando e subindo pelo seu corpo, até sua boca quase encostar no ouvido direito do Rei.
- Arranque o olho que lhe resta sem medo, Orco, que eu serei seus olhos.
Sob as ordens da criatura, em um rápido movimento, Makel arrancou seu olho direito. Cego, a faca de pedra caindo novamente no chão, ele avançou dois passos e puxou o fruto da árvore, cada movimento seguindo a voz em seu ouvido.
- Um ser inferior pode, uma vez, beber o Néctar dos deuses, ou comer a fruta ambrosia, o alimento dos imortais, mas jamais fazer as duas coisas. Para alguém que já bebeu o Néctar, comer a Ambrosia é desafiar os deuses e cortejar a loucura - A voz da criatura, incessante em seu ouvido.
Makel comeu o fruto, cego, a dor onde era seu olho apenas aumentando. Ele não se atrevia a abrir o outro olho, o olho do dragão, certo que o que restava de sua sanidade iria se esvair se ele visse o bosque com o olho do dragão.
E então, o Último Rei Orco de um passo, e depois outro, em direção ao lago, cada passo guiado pela voz em seu ouvido.
O encostar dos pés no lago foi um choque, os pés começando a queimar, como se ele estivesse entrando em um lago de fogo. Mas Makel continuou, um passo após o outro, até todo seu corpo parecer arder.
Por fim, com um novo passo para frente, ele não pode mais respirar, a água chegando a altura de sua boca. Mas Makel continuou, trancando a respiração apenas por um instante. A criatura em seu pescoço se desvincilhando e partindo para trás. A água preenchendo seus pulmões, seu corpo todo ardendo como se em chamas.
E ainda assim, o Último Rei Orco ainda deu um passo, e um novo passo, enquanto seus pulmões se enchiam de água.
E ele então pensou, em silêncio, na única pergunta que ainda lhe importava: Por que os humanos herdarão a terra?
E morreu.
....continua.....
- Ela está morrendo, apodrecendo por dentro, desde que Wotan arrancou um de seus galhos.
O Rei Orco se virou na direção da voz.
- Quem é você? - e ao ver a estranha criatura que parecia um lagarto sem pernas, sobre a rocha, continuou - O que é você?
- Quem eu sou - a voz sibilante lhe respondeu - Apenas um humilde servo de J-VA, e o guardião do primeiro bosque, agora que as Nornir partiram.
- Servo de J-VA? Então você sabe por que estou aqui?
- É claro que sei, último Rei dos Orcos. Você veio pela mesma razão de todos que vieram à árvore de todo o conhecimento, tanto do bem quanto do mal. Você veio em busca de respostas. E veio também para morrer, é claro.
O Rei ficou em silêncio, por alguns segundos, e então falou - Sim, eu também vim para morrer, se esta é a vontade de J-VA.
- Então pegue a faca de pedra, como lhe foi dito, Último Rei dos Orcos. Ela está a seus pés, onde foi deixada por Wotan, que veio antes de você, também em busca da verdade. Ele mostrou que estava disposto a pagar o preço. E você?
O Rei Orco olhou para baixo, e então se abaixou e pegou uma faca que jazia a seus pés, como a criatura havia lhe dito.
- Eu pagarei todos os preços que houver para pagar.
- Então, deixe-me ajudá-lo a cumprir seu destino. - E a criatura deslizou da pedra para o chão, e do chão para o pé de Makel, se enroscando e subindo pelo seu corpo, até sua boca quase encostar no ouvido direito do Rei.
- Arranque o olho que lhe resta sem medo, Orco, que eu serei seus olhos.
Sob as ordens da criatura, em um rápido movimento, Makel arrancou seu olho direito. Cego, a faca de pedra caindo novamente no chão, ele avançou dois passos e puxou o fruto da árvore, cada movimento seguindo a voz em seu ouvido.
- Um ser inferior pode, uma vez, beber o Néctar dos deuses, ou comer a fruta ambrosia, o alimento dos imortais, mas jamais fazer as duas coisas. Para alguém que já bebeu o Néctar, comer a Ambrosia é desafiar os deuses e cortejar a loucura - A voz da criatura, incessante em seu ouvido.
Makel comeu o fruto, cego, a dor onde era seu olho apenas aumentando. Ele não se atrevia a abrir o outro olho, o olho do dragão, certo que o que restava de sua sanidade iria se esvair se ele visse o bosque com o olho do dragão.
E então, o Último Rei Orco de um passo, e depois outro, em direção ao lago, cada passo guiado pela voz em seu ouvido.
O encostar dos pés no lago foi um choque, os pés começando a queimar, como se ele estivesse entrando em um lago de fogo. Mas Makel continuou, um passo após o outro, até todo seu corpo parecer arder.
Por fim, com um novo passo para frente, ele não pode mais respirar, a água chegando a altura de sua boca. Mas Makel continuou, trancando a respiração apenas por um instante. A criatura em seu pescoço se desvincilhando e partindo para trás. A água preenchendo seus pulmões, seu corpo todo ardendo como se em chamas.
E ainda assim, o Último Rei Orco ainda deu um passo, e um novo passo, enquanto seus pulmões se enchiam de água.
E ele então pensou, em silêncio, na única pergunta que ainda lhe importava: Por que os humanos herdarão a terra?
E morreu.
....continua.....
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