Criada uma imagem para o blog, colocado o fundo em preto. Pequenos ajustes, mas penso que melhoraram muito o visual.
A fazer: página de índice com o resumo das histórias, informação de quais estão completas, etc.
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Confira os contos finalizados e revisados de:
FICÇÃO CIENTÍFICA - FANTASIA - TERROR.
domingo, 14 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
O Último Rei Orco - Epílogo
(Confira a revisão mais recente de toda a história em http://www.aventuraeficcao.com.br/p/o-ultimo-rei-orco.html)
Ela os seguiu por dias sem fim, em silêncio, invisível, e esperou a beira do lago.
Ela não buscava vingança contra eles. Só havia um que ela queria vingar, pelo que Anubis lhe revelou em seus sonhos, e ela esperava o momento certo, mas o rei dos orcos matou Hodekin por ela.
Quando todos os orcos partiram - e para ela eles sempre seriam orcos, não importa como se chamassem - ela caminhou até o primeiro lago, agora quase seco.
Em breve deus cairiam, deuses morreriam. Sem a fé para mantê-los existindo, não haveria espaço para eles.
E para ela?
A água queimava sua pele, como se fosse fogo, quando ela entrou no lago, e se deitou para que a água a cobrisse. Não era apenas um batismo. Era um renascimento. Seu corpo se incendiando dentro da água, virando cinzas.
Quando, por fim, ela saiu do lago, já não havia ferimentos. Sua mão era sua, sua lingua, sua voz, mas era um novo corpo que ela usava. E Anubis a esperava.
- Venha, minha filha. Mas primeiro, diga-me o nome que escolheu para si.
E ela sorriu para o deus Anubis
- Bast.
Ela os seguiu por dias sem fim, em silêncio, invisível, e esperou a beira do lago.
Ela não buscava vingança contra eles. Só havia um que ela queria vingar, pelo que Anubis lhe revelou em seus sonhos, e ela esperava o momento certo, mas o rei dos orcos matou Hodekin por ela.
Quando todos os orcos partiram - e para ela eles sempre seriam orcos, não importa como se chamassem - ela caminhou até o primeiro lago, agora quase seco.
Em breve deus cairiam, deuses morreriam. Sem a fé para mantê-los existindo, não haveria espaço para eles.
E para ela?
A água queimava sua pele, como se fosse fogo, quando ela entrou no lago, e se deitou para que a água a cobrisse. Não era apenas um batismo. Era um renascimento. Seu corpo se incendiando dentro da água, virando cinzas.
Quando, por fim, ela saiu do lago, já não havia ferimentos. Sua mão era sua, sua lingua, sua voz, mas era um novo corpo que ela usava. E Anubis a esperava.
- Venha, minha filha. Mas primeiro, diga-me o nome que escolheu para si.
E ela sorriu para o deus Anubis
- Bast.
domingo, 7 de outubro de 2012
O Último Rei Orco XXV
Capítulo XXV
Z-US entrou, apressado, nos domínios de J-VA, a fúria possuindo-o.
- Apareça, J-VA, agora. Assim, Z-US ordena.
Uma voz respondeu, vinda de parte alguma - eu não tenho mais corpo para aparecer, Z-US, deus não mais supremo. E eu não obedeço sua vontade.
- Eu digo que o poder de J-VA se encerra agora
- J-VA já não existe mais, Z-US, deus que cairá.
- Eu descobrirei o nome que usa, J-VA. Eu descobrirei e usarei seu nome para destruí-lo.
Uma gargalhada se ouviu - pobre deus menor. Eu não tenho mais nome, Z-US.
- Então sua vitória será curta, e seu poder se esvairá, se suas criaturas não tiverem um nome para louvá-lo acima dos outros deuses.
A gargalhada só aumentou de intensidade - Meus seguidores não precisarão de um nome para me louvar acima de outros deuses, Z-US. Pois eu venci, e quando tudo acabar, não haverá mais razão para eu ter um nome - e após um instante de silêncio, antes da gargalhada recomeçar - pois não haverá nenhum deus além de mim.
sábado, 14 de julho de 2012
O Último Rei Orco XXIV
Eles estavam a beira do primeiro lago. Não apenas os guerreiros orcos, mas suas mulheres, suas crianças. E seus prisioneiros.
Foram doze dias de caminhadas em um ritmo incessante, marchando até depois do sol se pôr, e levantando antes dele nascer, sempre apressados pelo rei dos orcos.
Os Orcos feridos eram levados em esteiras ou, se pudessem caminhar, apoiados nos companheiros. Em alguns, o rei orco derramava um líquido que ele trazia em um cantil, e, milagrosamente, eles pareciam se recuperar.
As prisioneiras humanas faziam o possível para seguir os passos de seus captores. As que não conseguiam acompanhar a marcha eram deixadas para trás, a garganta cortada de lado a lado.
Dos homens, nenhum foi poupado, exceto ele, Hodekin. Os orcos não haviam dado nenhuma razão para permitir que ele vivesse, exceto que era a vontade de seu lider. Mas ele sabia que, na verdade, eram as palavras de JUS PATER que o mantinham a salvo.
Ele quase desacreditou de seu deus, quase duvidou do poder de JUS PATER e perdeu sua esperança, no dia que caiu prisioneiro, mas JUS PATER o visitou em seu sonho, e renovou sua fé. Ele lhe disse, com sua voz divina, que os orcos desapareceriam, que o próprio J-VA teria seu nome esquecido, e os homens herdariam a terra. Certamente, caberia a ele, Hodekin, último homem vivo, ser o futuro pai de toda sua raça.
- Aqui está o primeiro lago, chegamos a tempo - a voz do Rei Makel ecoou no silêncio do bosque - ele em breve desaparecerá. Antes disto, ele cumprirá seu papel uma última vez.
E então, um estranho ritual se iniciou entre os orcos, que Hodekin observou ao longe, amarrado junto com as mulheres de seu povo. Um a um, cada orco entrou no lago , e um a um, o rei dos orcos os imergiu completamente na água, por um instante. A cada um ele falou uma mesma frase.
"Com a agua do primeiro lago, eu te batizo com um novo nome", e ele dizia para cada um, um nome. Somente depois de muitos e muitos passarem pelo lago, Hodekin percebeu que os nomes que Makel lhes dava não eram nomes de orcos. Eram nomes um dia usados em Asikli Houyk e em outras cidades dos homens.
Já era noite quando todos os orcos passaram pelo lago. Foi quando dois orcos vieram, e o carregaram até Makel.
- Hoje, a vitória dos homens se completa. Hoje, conforme a palavra de Z-US e a vontade de J-VA, nós, homens, herdaremos a terra.
Por um instante, Hodekin não entendeu as palavras, e então gritou, a indignação lhe dando coragem - Blasfêmia. Vocês são orcos, e JUS PATER os condenou a desaparecer. Os homens herdarão a terra.
- Orcos - e o orco olhou ao redor - eu não vejo nenhum orco aqui. Orcos são criaturas que certamente já desapareceram, ou lendas, talvez. Gigantes de pele esverdeada e presas no lugar dos dentes. Histórias que nossos netos contarão para seus filhos, para assustá-los. Eu só vejo humanos aqui. E você, sacerdote.
E o orco, a criatura que ousava se chamar de homem, segurou Hodekin pelo pescoço, com uma única mão - E quanto a você. O que você é? - E o orco segurou seu pulso direito com a outra mão, e mostrou para os que o cercavam - Um homem certamente não. Homens não tem quatro dedos nas mãos, nem olhos desta cor dourada, ou dentes escuros. Certamente não são tão pequenos. Diga-me, o que você é, criatura?
"Eu sou um homem", Hodekin pensou, mas não pôde falar. A mão do gigante segurava e esmagava seu pescoço, impedindo-o de respirar.
- Se você é um homem, diga - esperou uns instantes, enquanto Hodekin estava mais e mais desesperado por ar - silêncio? Pelo seu tamanho, eu digo que você é Fay, o povo pequeno. E meus netos contarão lendas a seu respeito, junto com as lendas dos Orcos, mas certamente elas serão para divertir as crianças, não para assustá-las. Talvez vocês sejam criaturas que façam travessuras, ou que façam nosso leite azedar - e todos que os rodeavam riram neste instante.
O rei soltou Hodekin, que caiu no chão.
- JUS PATER nunca permitirá isto, Makel dos Orcos
- Mak El? Este não é mais meu nome. A tribo de El não existe mais. Mak filho de Mak morreu neste mesmo bosque, quando eu nasci. E você viveu apenas para testemunhar o nascimento da verdadeira raça dos filhos de deus.
E o gigante desceu seu machado para cortar a cabeça de Hodekin.
- E de Adão, primeiro dos homens.
Foram doze dias de caminhadas em um ritmo incessante, marchando até depois do sol se pôr, e levantando antes dele nascer, sempre apressados pelo rei dos orcos.
Os Orcos feridos eram levados em esteiras ou, se pudessem caminhar, apoiados nos companheiros. Em alguns, o rei orco derramava um líquido que ele trazia em um cantil, e, milagrosamente, eles pareciam se recuperar.
As prisioneiras humanas faziam o possível para seguir os passos de seus captores. As que não conseguiam acompanhar a marcha eram deixadas para trás, a garganta cortada de lado a lado.
Dos homens, nenhum foi poupado, exceto ele, Hodekin. Os orcos não haviam dado nenhuma razão para permitir que ele vivesse, exceto que era a vontade de seu lider. Mas ele sabia que, na verdade, eram as palavras de JUS PATER que o mantinham a salvo.
Ele quase desacreditou de seu deus, quase duvidou do poder de JUS PATER e perdeu sua esperança, no dia que caiu prisioneiro, mas JUS PATER o visitou em seu sonho, e renovou sua fé. Ele lhe disse, com sua voz divina, que os orcos desapareceriam, que o próprio J-VA teria seu nome esquecido, e os homens herdariam a terra. Certamente, caberia a ele, Hodekin, último homem vivo, ser o futuro pai de toda sua raça.
- Aqui está o primeiro lago, chegamos a tempo - a voz do Rei Makel ecoou no silêncio do bosque - ele em breve desaparecerá. Antes disto, ele cumprirá seu papel uma última vez.
E então, um estranho ritual se iniciou entre os orcos, que Hodekin observou ao longe, amarrado junto com as mulheres de seu povo. Um a um, cada orco entrou no lago , e um a um, o rei dos orcos os imergiu completamente na água, por um instante. A cada um ele falou uma mesma frase.
"Com a agua do primeiro lago, eu te batizo com um novo nome", e ele dizia para cada um, um nome. Somente depois de muitos e muitos passarem pelo lago, Hodekin percebeu que os nomes que Makel lhes dava não eram nomes de orcos. Eram nomes um dia usados em Asikli Houyk e em outras cidades dos homens.
Já era noite quando todos os orcos passaram pelo lago. Foi quando dois orcos vieram, e o carregaram até Makel.
- Hoje, a vitória dos homens se completa. Hoje, conforme a palavra de Z-US e a vontade de J-VA, nós, homens, herdaremos a terra.
Por um instante, Hodekin não entendeu as palavras, e então gritou, a indignação lhe dando coragem - Blasfêmia. Vocês são orcos, e JUS PATER os condenou a desaparecer. Os homens herdarão a terra.
- Orcos - e o orco olhou ao redor - eu não vejo nenhum orco aqui. Orcos são criaturas que certamente já desapareceram, ou lendas, talvez. Gigantes de pele esverdeada e presas no lugar dos dentes. Histórias que nossos netos contarão para seus filhos, para assustá-los. Eu só vejo humanos aqui. E você, sacerdote.
E o orco, a criatura que ousava se chamar de homem, segurou Hodekin pelo pescoço, com uma única mão - E quanto a você. O que você é? - E o orco segurou seu pulso direito com a outra mão, e mostrou para os que o cercavam - Um homem certamente não. Homens não tem quatro dedos nas mãos, nem olhos desta cor dourada, ou dentes escuros. Certamente não são tão pequenos. Diga-me, o que você é, criatura?
"Eu sou um homem", Hodekin pensou, mas não pôde falar. A mão do gigante segurava e esmagava seu pescoço, impedindo-o de respirar.
- Se você é um homem, diga - esperou uns instantes, enquanto Hodekin estava mais e mais desesperado por ar - silêncio? Pelo seu tamanho, eu digo que você é Fay, o povo pequeno. E meus netos contarão lendas a seu respeito, junto com as lendas dos Orcos, mas certamente elas serão para divertir as crianças, não para assustá-las. Talvez vocês sejam criaturas que façam travessuras, ou que façam nosso leite azedar - e todos que os rodeavam riram neste instante.
O rei soltou Hodekin, que caiu no chão.
- JUS PATER nunca permitirá isto, Makel dos Orcos
- Mak El? Este não é mais meu nome. A tribo de El não existe mais. Mak filho de Mak morreu neste mesmo bosque, quando eu nasci. E você viveu apenas para testemunhar o nascimento da verdadeira raça dos filhos de deus.
E o gigante desceu seu machado para cortar a cabeça de Hodekin.
- E de Adão, primeiro dos homens.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O Último Rei Orco XXIII
"Húbris". Arrogância cega.
N-BIS sempre entendeu como uma qualidade apenas dos mortais. Elfos, humanos, orcos e outras criaturas inferiores, que, em sua arrogância, se julgassem capazes de desafiar a vontade dos deuses. Ele agora se perguntava se este mal também não poderia afligir a seres supremos.
- Você ousou me convocar, V-NU, a mim, o mais poderoso de todos os deuses? E para quê? Para tentar me assustar com estórias ridículas? Só porque os Orcos exterminaram seus elfos, agora está com medo de J-VA?
- Eles também exterminaram seus humanos, Z-US. Quando os Orcos se multiplicarem e se espalharem pela terra, J-VA se tornará mais poderoso que você.
E o poderoso Z-US riu de escárnio, ante as palavras de V-NU.
- A minha palavra é suprema, V-NU, este é o meu dom, e é ele que me torna superior a todos os deuses, não importa para quem os mortais façam suas oferendas. Eu disse que os homens herdarão a terra, e assim será.
- E, no entanto, o poder de J-VA cresce a cada dia, e o seu diminui.
- Pois eu lhe digo, V-NU, para você e para o chacal que resolveu se tornar seu servo. J-VA não reinará supremo. O nome de J-VA se perderá no tempo, e não sobrará um único Orco na terra para rezar seu nome.
As palavras eram carregadas de poder. Z-US havia usado seu dom ao proferi-las.
- Está feito. Se J-VA um dia foi uma ameaça, agora ele está condenado a destruição - E, com um gesto, Z-US desapareceu.
Só após a partida do deus supremo, N-BIS falou - Ele nem nos escutou, tão certo que está que nada o ameaça. Seu poder vai mesmo destruir J-VA?
- Sua palavra é a verdade. Os homens herdarão a terra. O nome de J-VA se perderá no tempo. O que Z-US disse é o que acontecerá.
- No entanto... - N-BIS falou, para provocar V-NU a concluir seu pensamento.
- No entanto, ele ainda é apenas um tolo que não compreende seu próprio dom. E, especialmente, não entende seus limites.
- E o que fazemos agora, V-NU.
- Fazemos, N-BIS? Não estamos juntos. Não entrelaçamos nossos destinos, não somos amigos, não somos servos e senhor. O que havia para fazermos juntos já fizemos.
- Então não iremos enfrentar J-VA?
- Eu vi incontáveis deuses surgirem, e incontáveis deuses cairem. Não vi tantas eras por enfrentar cada deus que julga ser o deus supremo. No final, que me importa se é J-VA ou Z-US a reinar.
E ante o silêncio de N-BIS, V-NU olhou para ele e concluiu.
- Parta agora, deus chacal, e prepare-se, que, quando Z-US cair, ele não cairá sozinho.
E, sabendo que a hospitalidade do deus do centro estava por terminar, N-BIS partiu.
N-BIS sempre entendeu como uma qualidade apenas dos mortais. Elfos, humanos, orcos e outras criaturas inferiores, que, em sua arrogância, se julgassem capazes de desafiar a vontade dos deuses. Ele agora se perguntava se este mal também não poderia afligir a seres supremos.
- Você ousou me convocar, V-NU, a mim, o mais poderoso de todos os deuses? E para quê? Para tentar me assustar com estórias ridículas? Só porque os Orcos exterminaram seus elfos, agora está com medo de J-VA?
- Eles também exterminaram seus humanos, Z-US. Quando os Orcos se multiplicarem e se espalharem pela terra, J-VA se tornará mais poderoso que você.
E o poderoso Z-US riu de escárnio, ante as palavras de V-NU.
- A minha palavra é suprema, V-NU, este é o meu dom, e é ele que me torna superior a todos os deuses, não importa para quem os mortais façam suas oferendas. Eu disse que os homens herdarão a terra, e assim será.
- E, no entanto, o poder de J-VA cresce a cada dia, e o seu diminui.
- Pois eu lhe digo, V-NU, para você e para o chacal que resolveu se tornar seu servo. J-VA não reinará supremo. O nome de J-VA se perderá no tempo, e não sobrará um único Orco na terra para rezar seu nome.
As palavras eram carregadas de poder. Z-US havia usado seu dom ao proferi-las.
- Está feito. Se J-VA um dia foi uma ameaça, agora ele está condenado a destruição - E, com um gesto, Z-US desapareceu.
Só após a partida do deus supremo, N-BIS falou - Ele nem nos escutou, tão certo que está que nada o ameaça. Seu poder vai mesmo destruir J-VA?
- Sua palavra é a verdade. Os homens herdarão a terra. O nome de J-VA se perderá no tempo. O que Z-US disse é o que acontecerá.
- No entanto... - N-BIS falou, para provocar V-NU a concluir seu pensamento.
- No entanto, ele ainda é apenas um tolo que não compreende seu próprio dom. E, especialmente, não entende seus limites.
- E o que fazemos agora, V-NU.
- Fazemos, N-BIS? Não estamos juntos. Não entrelaçamos nossos destinos, não somos amigos, não somos servos e senhor. O que havia para fazermos juntos já fizemos.
- Então não iremos enfrentar J-VA?
- Eu vi incontáveis deuses surgirem, e incontáveis deuses cairem. Não vi tantas eras por enfrentar cada deus que julga ser o deus supremo. No final, que me importa se é J-VA ou Z-US a reinar.
E ante o silêncio de N-BIS, V-NU olhou para ele e concluiu.
- Parta agora, deus chacal, e prepare-se, que, quando Z-US cair, ele não cairá sozinho.
E, sabendo que a hospitalidade do deus do centro estava por terminar, N-BIS partiu.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
O Último Rei Orco XXII
Ele achou que havia tirado sua voz quando cortou sua lingua, mas ela já não tinha voz, ela já a havia perdido quando bebeu Nectar, assim como seu irmão perdeu sua visão quando Nectar foi derramado em seus olhos. A voz que o Não Rei dos Orcos achou que era sua era a voz de JUS PATER, e JUS PATER não era seu deus, nem nunca foi.
Ela não tinha voz, ela só tinha o silêncio como arma.
Os Orcos a haviam esquecido, quando as muralhas cairam. Ela era apenas uma criança, e eles tinham jovens e mulheres para escravizar e abusar, que lhes trariam muito mais diversão.
Assim, ninguém pareceu se lembrar dela, e, após ficar deitada, imóvel, bem onde o Não Rei dos Orcos a largou, ela se levantou ao ver que não havia ninguém por perto, todos tendo corrido em direção a cidade indefesa, e caminhou até a pequena floresta. Não foi difícil encontrar um buraco no meio da raiz de uma grande árvore, e se esconder até a noite chegar. Nem teria sido necessário, pois nenhum Orco procurou por ela.
Ela deveria estar chorando pelo seu irmão, pelo seu pai que ela tinha certeza que a esta altura estaria morto, pelo que fizeram com sua mão, sua lingua. Mas era como se um grande frio estivesse dentro dela. Não como quando J-VA ocupou o espaço de sua mente, não havia ninguém com ela agora, ela estava absolutamente sozinha, na escuridão. Mas nada, nem a dor, nem a raiva, a tocava neste instante.
Ela apenas aguardava a noite chegar. Havia algo para ser feito.
O sol por fim se pôs, e a escuridão se espalhou pela terra. E ela voltou para as ruínas de Assikli Hoyuk, e começou a procurar. Não por sobreviventes, não por seu pai, nem mesmo por Sharazin, que talvez ainda estivesse viva. Ela procurou por algum Orco sozinho, que estivesse suficientemente bêbado e isolado dos demais.
Ela teria preferido o próprio Não Rei dos Orcos. Ela não tinha mais medo dele, ela estava além do medo. Mas, o que quer que ele fosse - Não o Rei dos Orcos, Não Makel - em que quer que tivesse se transformado, ela sabia que não teria chance de lhe fazer mal esta noite.
Não foi difícil caminhar pela cidade, pois não havia ninguém vigiando. As casas haviam sido saqueadas, destruídas, algumas mulheres foram levadas para dentro do castelo. Os demais, homens, mulheres, crianças, estavam mortos, e seus corpos estavam em todo lugar. Os Orcos estavam espalhados também, bêbados e dormindo, em sua maioria.
Também não foi difícil encontrar uma faca afiada o suficiente para o que ela iria fazer.
O Orco que ela encontrou estava sozinho, dormindo com uma espada ainda na mão. Uma visão deformada de um verdadeiro homem, grande demais, cinco dedos nas mãos, pele clara, dentes brancos na boca aberta. Ele roncava.
Ela só tinha a mão direita para segurar a faca, a esquerda uma visão que ela não queria olhar, pele enegrecida, destruída pelo fogo. Mas só uma mão seria suficiente. Com firmeza, em um golpe rápido, ela fez um profundo corte em seu pescoço. Por sorte, ele não conseguiu gritar antes de morrer. De outro modo ela teria que fugir e tentar novamente.
Ele morreu em silêncio. Então, ela cravou a faca no peito do morto, e pôs-se a cortar, até tirar seu coração para fora.
JUS PATER exigia que cantassem em altas vozes em louvor a ele, assim como V-NU, e mesmo o J-VA dos Orcos. Mas, ela não previsava de uma lingua para orar para seu deus. Ele sempre preferiu suas preces em silêncio, pois silêncio era seu reino, e dos que o seguiam.
Assim, ela não precisou falar quando ofereceu o coração do inimigo vencido. Ela só precisou pensar no nome, o nome verdadeiro de seu deus, o deus chacal que chamavam de N-BIS.
Enquanto oferecia o coração, ela só precisou pensar em seu nome secreto: "Anubis".
Ela não tinha voz, ela só tinha o silêncio como arma.
Os Orcos a haviam esquecido, quando as muralhas cairam. Ela era apenas uma criança, e eles tinham jovens e mulheres para escravizar e abusar, que lhes trariam muito mais diversão.
Assim, ninguém pareceu se lembrar dela, e, após ficar deitada, imóvel, bem onde o Não Rei dos Orcos a largou, ela se levantou ao ver que não havia ninguém por perto, todos tendo corrido em direção a cidade indefesa, e caminhou até a pequena floresta. Não foi difícil encontrar um buraco no meio da raiz de uma grande árvore, e se esconder até a noite chegar. Nem teria sido necessário, pois nenhum Orco procurou por ela.
Ela deveria estar chorando pelo seu irmão, pelo seu pai que ela tinha certeza que a esta altura estaria morto, pelo que fizeram com sua mão, sua lingua. Mas era como se um grande frio estivesse dentro dela. Não como quando J-VA ocupou o espaço de sua mente, não havia ninguém com ela agora, ela estava absolutamente sozinha, na escuridão. Mas nada, nem a dor, nem a raiva, a tocava neste instante.
Ela apenas aguardava a noite chegar. Havia algo para ser feito.
O sol por fim se pôs, e a escuridão se espalhou pela terra. E ela voltou para as ruínas de Assikli Hoyuk, e começou a procurar. Não por sobreviventes, não por seu pai, nem mesmo por Sharazin, que talvez ainda estivesse viva. Ela procurou por algum Orco sozinho, que estivesse suficientemente bêbado e isolado dos demais.
Ela teria preferido o próprio Não Rei dos Orcos. Ela não tinha mais medo dele, ela estava além do medo. Mas, o que quer que ele fosse - Não o Rei dos Orcos, Não Makel - em que quer que tivesse se transformado, ela sabia que não teria chance de lhe fazer mal esta noite.
Não foi difícil caminhar pela cidade, pois não havia ninguém vigiando. As casas haviam sido saqueadas, destruídas, algumas mulheres foram levadas para dentro do castelo. Os demais, homens, mulheres, crianças, estavam mortos, e seus corpos estavam em todo lugar. Os Orcos estavam espalhados também, bêbados e dormindo, em sua maioria.
Também não foi difícil encontrar uma faca afiada o suficiente para o que ela iria fazer.
O Orco que ela encontrou estava sozinho, dormindo com uma espada ainda na mão. Uma visão deformada de um verdadeiro homem, grande demais, cinco dedos nas mãos, pele clara, dentes brancos na boca aberta. Ele roncava.
Ela só tinha a mão direita para segurar a faca, a esquerda uma visão que ela não queria olhar, pele enegrecida, destruída pelo fogo. Mas só uma mão seria suficiente. Com firmeza, em um golpe rápido, ela fez um profundo corte em seu pescoço. Por sorte, ele não conseguiu gritar antes de morrer. De outro modo ela teria que fugir e tentar novamente.
Ele morreu em silêncio. Então, ela cravou a faca no peito do morto, e pôs-se a cortar, até tirar seu coração para fora.
JUS PATER exigia que cantassem em altas vozes em louvor a ele, assim como V-NU, e mesmo o J-VA dos Orcos. Mas, ela não previsava de uma lingua para orar para seu deus. Ele sempre preferiu suas preces em silêncio, pois silêncio era seu reino, e dos que o seguiam.
Assim, ela não precisou falar quando ofereceu o coração do inimigo vencido. Ela só precisou pensar no nome, o nome verdadeiro de seu deus, o deus chacal que chamavam de N-BIS.
Enquanto oferecia o coração, ela só precisou pensar em seu nome secreto: "Anubis".
domingo, 3 de junho de 2012
O Último Rei Orco XXI
A serpente os viu chegar. O deus chacal, e o deus de muitos braços. O deus chacal esteve antes ali, no primeiro bosque, e a serpente o observou, escondida na relva, insignificante demais para que ele se importasse com ela. Ela achou que ele não voltaria, muito menos trazendo companhia. O deus sem nome teria que ser avisado. Mas, primeiro, ela ficaria imóvel, ouvindo o que eles teriam a dizer.
- Você disse a verdade, N-BIS. A primeira árvore está morrendo, e com ela o primeiro bosque. Mesmo o primeiro lago estará seco, em alguns poucos dias. Não é como deveria ser.
- Parece que muitas coisas não são como você imaginava que deveriam ser, não é, grande V-NU?
Se V-NU percebeu o sarcasmo de N-BIS, ele não demonstrou, e respondeu com honestidade - Sim, de fato. Muitas coisas não são como deveriam ser, o que parece indicar que estão conectadas. Esta é a primeira era em que a árvore morrerá antes do tempo.
- E o que isto significa, V-NU, ó mais antigo dos deuses.
- O que significa? - V-NU ficou em silêncio alguns instantes, parecendo pensar, e quando respondeu, pareceu falar mais para si mesmo - difícil dizer. A primeira árvore é sempre plantada por mim, em geral em um bosque criado por algum dos primeiros deuses da era, às vezes uma encarnação de BRAH, às vezes algum deus da fertilidade, ou alguma encarnação do caos. Uma encarnação de SHIV, ou um deus da morte, traz o fim do bosque, após todo o universo colapsar, e é só neste instante que a árvore morre.
- Mas agora ela já está morrendo. Isto significa que esta era vai terminar mais cedo, ou que estamos rompendo o ciclo eterno de renascimentos?
- Eterno? - e V-NU riu - nada é eterno. Nem mesmo a eternidade.
- Mas o que irá acontecer, V-NU? Não queres me dizer?
- Oh, talvez eu quisesse lhe dizer, deus chacal, ou talvez não. Mas a resposta é mais simples. Eu não sei.
- Não sabe? E sua onisciência?
- Onisciência? Há tanto que você precisa aprender, N-BIS... Onisciência, como eternidade, é apenas uma palavra. Onisciência é apenas uma forma de dizer que eu sei mais que você.
- É, deus do centro? Pois parece que você nem sequer sabe mais que eu.
- Mesmo? Eu sei que você deixou de perceber algo quando esteve aqui antes, deus chacal - e V-NU se abaixou, rápido, e ao se levantar, trazia a serpente em uma de suas mãos.
- Uma serpente?
- Um guardião. E com proteções para esconder sua natureza - Diga-me, serpente, a quem você serve?
- Eu não sirvo a ninguém que tenha um nome, deus de muitos braços - a serpente se viu obrigada a falar, contra sua vontade, ao olhar nos olhos do deus.
- Ela está mentindo?
- Não N-BIS. Não tinhas percebido ainda? Não é fácil mentir na presença de V-NU. Diga-me, serpente, por que a árvore está morrendo?
- Ela está morrendo por que um de seus galhos foi arrancado. Ao ser arrancado, a árvore começou a apodrecer.
- E quem o arrancou?
- O nome que ele usava era Wotan.
- E ele ainda usa este nome?
- Não
- E por que nome ele é chamado agora?
- Ele não é chamado por nenhum nome mais.
- Isto não é verdade.
A serpente silvou, e então encarou com fúria os olhos do deus - É a minha verdade. É a única verdade que vai ter de mim, deus antigo.
Então, V-NU apertou sua mão, e a serpente começou a queimar. Ele deixou as cinzas cairem no chão.
- Vamos, deus chacal. Não há mais nada para fazer aqui.
- Você matou a serpente. Será que isto foi inteligente? Ela era nossa única pista para este ser, este Wotan de quem nunca ouvi o nome.
- Nós não precisamos de pistas. Lembra-se que você disse que eu era onisciente?
- E você disse que não existia onisciência.
- Não. Eu disse apenas que onisciência era saber mais do que os outros sabem. E eu sei mais que você, N-BIS. Eu sei quem é Wotan.
V-NU concluiu a frase enquanto ambos partiam para longe do primeiro bosque:
- É J-VA.
- Você disse a verdade, N-BIS. A primeira árvore está morrendo, e com ela o primeiro bosque. Mesmo o primeiro lago estará seco, em alguns poucos dias. Não é como deveria ser.
- Parece que muitas coisas não são como você imaginava que deveriam ser, não é, grande V-NU?
Se V-NU percebeu o sarcasmo de N-BIS, ele não demonstrou, e respondeu com honestidade - Sim, de fato. Muitas coisas não são como deveriam ser, o que parece indicar que estão conectadas. Esta é a primeira era em que a árvore morrerá antes do tempo.
- E o que isto significa, V-NU, ó mais antigo dos deuses.
- O que significa? - V-NU ficou em silêncio alguns instantes, parecendo pensar, e quando respondeu, pareceu falar mais para si mesmo - difícil dizer. A primeira árvore é sempre plantada por mim, em geral em um bosque criado por algum dos primeiros deuses da era, às vezes uma encarnação de BRAH, às vezes algum deus da fertilidade, ou alguma encarnação do caos. Uma encarnação de SHIV, ou um deus da morte, traz o fim do bosque, após todo o universo colapsar, e é só neste instante que a árvore morre.
- Mas agora ela já está morrendo. Isto significa que esta era vai terminar mais cedo, ou que estamos rompendo o ciclo eterno de renascimentos?
- Eterno? - e V-NU riu - nada é eterno. Nem mesmo a eternidade.
- Mas o que irá acontecer, V-NU? Não queres me dizer?
- Oh, talvez eu quisesse lhe dizer, deus chacal, ou talvez não. Mas a resposta é mais simples. Eu não sei.
- Não sabe? E sua onisciência?
- Onisciência? Há tanto que você precisa aprender, N-BIS... Onisciência, como eternidade, é apenas uma palavra. Onisciência é apenas uma forma de dizer que eu sei mais que você.
- É, deus do centro? Pois parece que você nem sequer sabe mais que eu.
- Mesmo? Eu sei que você deixou de perceber algo quando esteve aqui antes, deus chacal - e V-NU se abaixou, rápido, e ao se levantar, trazia a serpente em uma de suas mãos.
- Uma serpente?
- Um guardião. E com proteções para esconder sua natureza - Diga-me, serpente, a quem você serve?
- Eu não sirvo a ninguém que tenha um nome, deus de muitos braços - a serpente se viu obrigada a falar, contra sua vontade, ao olhar nos olhos do deus.
- Ela está mentindo?
- Não N-BIS. Não tinhas percebido ainda? Não é fácil mentir na presença de V-NU. Diga-me, serpente, por que a árvore está morrendo?
- Ela está morrendo por que um de seus galhos foi arrancado. Ao ser arrancado, a árvore começou a apodrecer.
- E quem o arrancou?
- O nome que ele usava era Wotan.
- E ele ainda usa este nome?
- Não
- E por que nome ele é chamado agora?
- Ele não é chamado por nenhum nome mais.
- Isto não é verdade.
A serpente silvou, e então encarou com fúria os olhos do deus - É a minha verdade. É a única verdade que vai ter de mim, deus antigo.
Então, V-NU apertou sua mão, e a serpente começou a queimar. Ele deixou as cinzas cairem no chão.
- Vamos, deus chacal. Não há mais nada para fazer aqui.
- Você matou a serpente. Será que isto foi inteligente? Ela era nossa única pista para este ser, este Wotan de quem nunca ouvi o nome.
- Nós não precisamos de pistas. Lembra-se que você disse que eu era onisciente?
- E você disse que não existia onisciência.
- Não. Eu disse apenas que onisciência era saber mais do que os outros sabem. E eu sei mais que você, N-BIS. Eu sei quem é Wotan.
V-NU concluiu a frase enquanto ambos partiam para longe do primeiro bosque:
- É J-VA.
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