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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Reino de Martin 4/7 - Capítulo IV

Capítulo IV - 90º dia, 5º Ano Gen (4 anos, 90 dias da independência de Norst)

O ano 265 do antigo calendário iniciou sem que houvesse qualquer comemoração, pelo menos oficialmente. Nada foi dito formalmente, mas todos sabiam que comemorar o aniversário do dia que o primeiro humano pôs os pés em Norst poderia ser considerado subversivo.

As comemorações oficiais foram feitas 90 dias antes, marcando o aniversário da data que a última nave espacional partiu do espaçoporto de Norylsk. Soldados desfilaram nas ruas, multidões aplaudiram, o povo clamou pela presença de Martin, mas ele não apareceu. Há anos ele não se arriscava mais a aparecer em público.

"Dantès adoraria que ele se mostrasse ao público uma única vez mais", pensei comigo mesma, enquanto aguardava o elevador. Era um jogo de gato e rato que estava parado em um impasse, Martin temia por sua vida, Aldo estava morto, eu continuava seu trabalho, infiltrada na revolução dentro de uma revolução que Dantès havia criado. Alguém teria que fazer um movimento, forçar uma reação, um erro.

Um calafrio me percorreu quando saí do elevador. Eu havia pisado neste prédio uma única vez, anos antes, em missão junto com Martin, a única missão que fizemos juntos. O antigo prédio do senado era agora a sede do novo governo. Martin estava bem aqui, bem próximo, apenas alguns andares acima. Tudo que eu queria era poder subir estes andares, poder finalmente revê-lo, mas a segurança jamais permitiria.

- Tarith, que bom vê-la novamente. - Nary me recepcionou com um abraço e um sorriso, verdadeiramente feliz em me ver, após dispensar o guarda que me acompanhou do elevador até sua sala. - Tem certeza que é seguro vir até aqui?

- Eu não fui seguida. Na verdade, quem me vigia é Nando, seu agente.

- Eu sei, mas isto não impediu que pegassem Aldo. E agora que você está mais próxima de encontrar Dantès, nada nos garante que eles não coloquem mais pessoas vigiando você.

- Por isto mesmo que eu precisava vir pessoalmente. Na próxima semana encontrarei Dantès pessoalmente, e nós não podemos perder esta oportunidade.

- Você vai encontrá-lo? Tem certeza?

Eu acenei com a cabeça. O interesse de Nary era visível. Em ação, era impossível discernir suas emoções, mas aqui, apenas nós duas, ela se eriçava toda só em pensar na possibilidade, como um gato ansioso para atacar sua presa.

Ela começou a traçar planos instantaneamente, em sua maioria envolvendo uma ação suicida minha, uma bomba ou nano implantado em meu corpo, mas eu lhe disse que provavelmente seria examinada antes de chegar perto de Dantès. Ele era tão paranóico quanto Martin, Nando poderia lhe confirmar.

- Você pode chegar perto de Martin a hora que quiser - eu disse, o ciúmes perceptível em minha voz - Dantès só tem ouvido falar de meu trabalho em sua organização, ele não me conhece e não vai confiar em mim.

- Então você tem um plano melhor? - Ela por fim disse, a voz não escondendo sua irritação - você mesma disse que não podemos perder esta oportunidade.

Eu então lhe contei meu plano. Era mais força bruta que sutileza, mas nós tínhamos a vantagem da surpresa e do número de soldados que poderíamos dispor. Iríamos cercar e atacar Dantès assim que eu conseguisse a confirmação que ele estivesse presente em um local.

- Faça isto, Tarith, e Martin lhe será grato. Eu não posso prometer nada, ele tem - ela hesitou - ele tem questões com você, não posso explicar, você não entenderia, mas se fizer isto e sobreviver, eu tenho certeza que ele será grato a você.

- A vida de Martin é a única coisa importante para mim - eu respondi com sinceridade. Ela me abraçou, e me disse que comandaria pessoalmente a operação.

- Vou fazer de tudo para proteger você - foi a última coisa que ela me disse, quando me despedi.

"É um jogo de gato e rato, entre Martin e Dantès", eu pensei novamente, ao sair do elevador. "Como foi entre Martin e os humanos. Como foi entre Martin e o Senador".

Mais um calafrio me percorreu o corpo, enquanto me afastava do prédio que um dia pertenceu ao senado humano.

O prédio de meu pai.

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