banner


Seja bem-vindo.

Confira os contos finalizados e revisados de:

FICÇÃO CIENTÍFICA  -  FANTASIA  -  TERROR.


Interessado em tecnologia, design ou marketing? visite o Alfamídia Online, site de cursos online

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Reino de Martin - Capítulo II

Capítulo II - 370º dia, 4º Ano Gen (3 anos, 370 dias da independência de Norst)


Eu estava curiosa para saber o que sentiria ao vê-lo, mas Martin não apareceu no funeral. Aldo era seu amigo de infância, e ele nem se deu ao trabalho de vir uma última vez se despedir. Aldo morreu em missão para Martin, tentando encontrar Dantès, o misterioso lider da nova rebelião, que parecia querer repetir os passos de Martin e tomar seu lugar. E nem assim, Martin veio.

- Você está bem? - Nary falou em voz baixa, para não atrapalhar a cerimônia. Ela também conhecia Aldo desde pequeno. Martin havia reunido todos os conhecidos de sua infância para formar sua elite.

- Bem? Não, não estou bem. Você sabe que não estou bem desde que Martin me abandonou - eu respondi também em voz baixa - Mas você quer saber se estou triste por Aldo estar morto? Como eu poderia estar? Você sabe o que ele fazia comigo.

Por uns minutos ela nada respondeu. Quando por fim quebrou o silêncio, sua voz era lenta, hesitante.

- Ele não foi sempre assim. Não foi sempre do jeito que você o conheceu. Nenhum de nós era o que nós somos hoje, Tarith, não quando éramos crianças, em Kheel. Especialmente, Aldo. - Mais silêncio, sem que eu nada respondesse. A cerimônia prosseguia, uma cerimônia mais antiga que a vida neste planeta. Aldo, em um caixão, sendo colocado no buraco escavado na terra.

Foi só quando o pastor terminou de falar suas palavras da nova religião de Martin e começaram a tapar o caixão com terra, que Nary voltou a falar - Aldo nunca brigava, quando criança, nem para se defender. Martin sempre tinha que estar por perto, protegendo-o das crianças maiores. Até que um dia os pais deles morreram, e Martin foi levado embora. O Aldo que você conheceu foi o Aldo que nasceu naquele dia, no dia do desastre em Kheel.

- E como isto justifica o que ele fazia comigo?

- Não justifica, não justifica tudo que fizemos com você. Martin não tinha o direito de... - ela hesitou por um instante - não importa. Eu vou falar com Martin, dizer que você já sofreu o suficiente. Se eu pedir, talvez ele não passe você para outra pessoa. Ou talvez eu possa indicar alguém para Martin, alguém que não vai maltratá-la como Aldo.

Eu virei o rosto e olhei diretamente nos olhos dela - Se você quer me ajudar, tem outra coisa que você pode fazer.

- Tarith. Não adianta me pedir novamente. Eu sei que você o ama, você não tem como não amá-lo, mas Martin não vai voltar para você. Acredite em mim, ele só vai machucá-la ainda mais.

- Martin nunca me machucaria. Mas eu sei que preciso mostrar o quanto o amo, ele deve achar que não penso mais nele, que o esqueci. Não é isto que quero lhe pedir, Nary. Eu quero voltar a ativa. Eu quero voltar a ativa para encontrar e matar Dantès.

- Estamos tentando a seis meses, Tarith, e ainda nem sabemos quem ele é, qual seu verdadeiro nome. Aldo era quem chegou mais perto de encontrá-lo, e olhe o que aconteceu com ele.

- Aldo não era tão bom quanto eu, Nary. Nunca foi. Ninguém além de você era melhor em uma missão que eu. Exceto Martin, é claro. Eu era a melhor assassina que você tinha, eu aprendi como ninguém tudo que você ensinou.

- Martin não quer mais você em missões, Tarith.

- Diga a ele para me deixar caçar Dantès. Ou eu vou ter sucesso, ou vou acabar como Aldo. Se eu tiver sucesso, se eu trouxer Dantès, Martin vai saber que eu fiz isto por ele, vai perceber que eu nunca deixei de amá-lo. Se eu não conseguir, se Martin não vai mais me amar, eu prefiro mesmo estar morta. Nenhum de nós tem nada a perder se me deixar caçar Dantès.

Ela hesitou por uns instantes. A seu modo, ela gostava de mim. E ela sabia que Martin não me deixaria em paz, que ela não poderia me proteger dele. Mas me mandar em uma missão suicida? Dependeria de quanto Martin já estava assustado com a nova revolta - Esta bém, eu vou falar com Martin, vou tentar. É só o que posso prometer.

- É o suficiente. - Eu disse, e me virei para ver o final do funeral de Aldo. Quase sem eu perceber, minha mão esquerda coçava a cicatriz no pulso direito, por baixo da manga da minha roupa.

www.aventuraeficcao.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário