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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Príncipe Melvin, Matador de Dragões

Príncipe Melvin, Matador de Dragões - (versão revisada em 20/01/2012)

O dragão me esmagava contra o chão, colocando o peso em sua pata, que pressionava meu escudo por cima do meu peito, mal me permitindo respirar. Eu estava indefeso, minha espada caída além do meu alcance, a lâmina estilhaçada.

O dragão falou em uma voz sibilante, a língua bifurcada aparecendo por instantes na boca semi-aberta.

- Aposto que você achou que seria fácil me vencer, não é, nobre cavaleiro? Veio com a cabeça cheia de histórias de heróis matando dragões e resgatando princesas, histórias cantadas por trovadores e repetidas por meninas românticas e jovens sonhadores. Você sabia que nós dragões também contamos histórias?

Eu tentava mover minha mão esquerda, presa embaixo do escudo. Em minhas roupas eu tinha uma ORB mística, a ORB de meu pai, o Rei Magnus. Grandurf, o mago, havia me alertado para somente usá-la na minha hora mais desesperada, mas sem dúvida ela era minha última esperança.

- O que houve? Não consegue falar? - o dragão soltou ligeiramente o peso, me permitindo respirar melhor e mover um pouco o braço. - o dragão comeu sua lingua?

Eu comecei a tirar o braço do escudo, mas era difícil me mover, a pata do dragão ainda me prensando contra o chão. Eu sabia que precisava ganhar tempo, e por isto resolvi responder as provocações da fera.

- Solte-me e enfrente-me se tem coragem, dragão. Lute comigo em um combate justo, e eu garanto que você nunca mais aterrorizará a vila de Mathigan.

- Enfrentá-lo? Mas eu acabei de enfrentá-lo. Você veio, armado com escudo, lança, espada, parecendo um cavaleiro de verdade, achando que seria páreo para um dragão. Você lutou com toda a coragem e estupidez de uma criança humana com a cabeça cheia de tolices românticas. E você perdeu.

Era verdade que eu tinha sido derrotado. Minha espada encantada, enfeitiçada pelo próprio Grandurf, se quebrou na pele do dragão. Mas a ORB era de um feitiço ainda mais antigo, estava a gerações na minha família, Grandurf me contou. Meus dedos estavam encostando nela, mas eu precisava segurá-la em minha mão para usá-la. Se eu apenas pudesse puxá-la com a ponta dos dedos. Se apenas eu conseguisse distrair o dragão por mais alguns segundos.

- Eu sou um cavaleiro de verdade, dragão, ordenado pelo Mago Grandurf. Mais que cavaleiro, sou o verdadeiro príncipe perdido, Melvin, herdeiro das terras do norte, destinado a libertar nosso reino de todos os dragões e vis criaturas místicas.

- Ah, Grandurf o encontrou e lhe contou seu destino, eu aposto. E o que você era antes de Grandurf visitá-lo e revelar sua verdadeira origem? Um camponês? Um criador de ovelhas? E, como em todos os seus contos de fadas, você descobriu que era na verdade um príncipe vivendo entre meros plebeus, estou certo?

Duas semanas atrás, eu pensava ser apenas um aprendiz de ferreiro, morando com meu tio, ou melhor, com um homem que dizia ser meu tio. Mas na verdade eu sempre soube que era diferente, que corria sangue nobre em mim. Quando Grandurf me encontrou, e me revelou minha verdadeira origem, tudo fez sentido. Eu era o príncipe perdido, e a profecia dizia que eu livraria o mundo dos dragões.

Comecei a puxar a ORB das minhas roupas com meus dedos e adquiri nova confiança. Mais alguns instantes e poderia usar seu poder e derrotar o dragão. Bastaria ganhar alguns segundos.

- Grandurf revelou minha origem, sim, dragão. Mais do que isto, ele se tornou meu mentor, e me treinou para vencer criaturas como você. Ele me deu o poder para derrotá-lo e salvar a vila de Mathigan.

- Derrotar-me? Não sei nada sobre você me derrotar, mas você vai, sim, salvar a vila de Mathigan. Pelo menos vai salvá-la por um mês inteiro, até eu ter fome novamente. Até o próximo príncipe perdido vir me enfrentar.

Finalmente, com um último esforço, aproveitando que o dragão se distraiu e soltou um pouco mais o peso, eu movi o braço os últimos centímetros que faltavam, e segurei a ORB em minha mão.

- Eu vou derrotá-lo sim, dragão, vou derrotá-lo com magia mais antiga que sua espécie. Vou derrotá-lo com a ORB dos matadores de dragões, entregue em minhas mãos pelo próprio Grandurf - e me concentrei na ORB, usando toda minha força de vontade para ativá-la.

E nada aconteceu.

- A ORB de Grandurf? Grandurf, que convenceu-o que você era um príncipe? Grandurf, que traz um novo garoto aqui a cada mês, para que eu continue poupando sua vila? Grandurf que encheu sua cabeça das histórias humanas, que terminam com os heróis vencendo e vivendo felizes para sempre?

O pavor tomou conta de mim. Eu tentei dizer: "eu sou um príncipe de verdade", mas não consegui falar nada, meu corpo paralisado de medo.

- As histórias de dragões são mais simples. Nelas, não há heróis, finais felizes, princesas a serem resgatadas. Mas elas sempre terminam com uma refeição. E você sabe qual nossa comida favorita?

Eu apenas balancei a cabeça, em sinal de não, apavorado demais para dizer qualquer coisa. O dragão abriu a boca, e um jato de fogo me envolveu.

- Carne assada.

6 comentários:

  1. Olá,

    Gostei do muito dos seus textos. Preciso saber o seu nome, pois trabalharei com o texto Príncipe Melvin - matador de dragões, com os meus alunos e desejo informar o nome do autor.

    Obrigado

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    Respostas
    1. Ola.
      Me passe um e-mail para contato respondendo aqui no blog, que entro em contato.
      Um abraço

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    2. Obrigado pelos comentários, que bom que gostaste.

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    3. Olá, Ainda tenho interesse na informação solicitada.

      meu e-mail é : almopinheiro2@gmail.com
      Obrigado

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    4. Acabo de enviar um e-mail de retorno. Deves recebê-lo agora mesmo.

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    5. Obrigado pelo retorno. Eu respondi ao seu e-mail.

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