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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Reino de Martin - Capítulo I

Capítulo I - 415º dia, 3º Ano Gen (2 anos e 415 dias da independência de Norst)

Eu abri a torneira do chuveiro, e coloquei para encher a água da banheira. Nem muito frio, nem muito quente.

E pensei em minha filha.

Em outros dias, eu sempre colocava bem forte, quase a queimar a pele. Sempre com a esperança que, se a água estivesse suficientemente quente, eu conseguiria me sentir mais limpa ao sair do banho. Hoje, não importava. A água, a banheira, elas tinham outro propósito.

Esta noite Aldo não me bateu. Ele quase foi gentil. E cada vez que ele tocava em mim eu pensava em uma forma diferente de matá-lo. Não seria difícil, ele era mais forte, mas era pura força bruta.

Lento. Tosco. Nunca entendi por que Martin o valorizava tanto.

Um golpe bem rápido poderia arrancar seu olho. Isto não o deteria, não definiria a luta, mas seria divertido. Ver seu rosto se manchando de sangue, ele gritando de dor. Se apenas ele caísse em desgraça com Martin... então, em minha fantasia, a fantasia em que Martin ainda falava comigo, eu imploraria para ele me dar a chance de fazer justiça.

Um golpe na garganta seria como eu terminaria a luta. Será que ele demoraria para morrer? Uma imagem do senador, morrendo, três anos atrás, me veio a mente. Como todas as vezes, todos os dias, um vômito subiu até a minha garganta, e eu tentei pensar em outra coisa. E entrei na banheira.

A água estava morna. Eu me lembrei de minha filha. Ela era tão pequena, tão frágil.

Algumas vezes Aldo fazia festas, juntava outros soldados de Martin, em geral subordinados dele, e prostitutas.

Eu era uma das prostitutas.

Ele achava engraçado, não se importava em me dividir com os outros. Minha humilhação era prazer suficiente.

Se apenas Martin soubesse. Martin me ama, ele nunca permitiria. Se apenas ele não tivesse me dito para obedecer a tudo que Aldo mandasse, não importava o que fosse.

Eu fechei os olhos e mergulhei a cabeça na banheira. Eu poderia respirar a água? Seria possível meu desejo de morte ser tão intenso que eu apenas me afogaria na banheira? Eu veria minha filha uma última vez, em minha mente? Eu levanto o rosto para fora da água.

Esta manhã, depois que Aldo saiu, eu me vesti e fui ao mercado. Pelo menos desta vez não havia marcas recentes em meu rosto. Mesmo assim, as pessoas olhavam para mim.

A maioria me desprezava por achar que eu era amante de um dos soldados da elite de Martin. Alguns poucos tinham pena de mim. Eu caminhava no meio deles, mas estava em outro lugar, um lugar tranquilo, em que abraçava minha filha. Um lugar em que Martin estava comigo.

Eles me desprezavam, ou tinham pena. Se soubessem que eu própria fui da elite de Martin, uma de suas assassinas, iriam me odiar? Se pudesse, eu ainda seria, mas Martin disse que eu serviria melhor a causa servindo a Aldo.

Nós éramos heróis, 3 anos atrás. Havia festas nas ruas. Minha filha estava para nascer. Martin me amava.

Agora nós éramos vilões.

E Martin levou minha filha.

Eu disse para mim mesma que não era culpa dele, que ele me amava. Eu disse que se Martin soubesse o que eu estava passando, ele viria me resgatar.

Eu imaginava ele chegando, arrombando a porta, vindo me salvar.

Mas era só uma fantasia. Eu estava sozinha. Só eu e a faca que eu guardava havia três anos. E a banheira com água quente, que ajudaria o sangue a fluir.

Eu segurei a faca, com força, na mão esquerda, e usei para cortar o pulso da mão direita.

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