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domingo, 14 de agosto de 2011

Família - Terrorista/5

- Como se atreve? Quem você pensa que é para se dizer filha de meu marido - A mulher foi a primeira a falar, a voz alterada, gritando. Eu apenas baixei a cabeça, sem saber o que dizer. Estava para me levantar e sair pela mesma porta que entrei.

- Calma, Silvia, meu amor. Deixe-me pelo menos entender. - Ele olhou para mim, seu rosto não demonstrando fúria, apenas confusão. - Você é uma das... - ele hesitou um segundo, como se escolhendo a palavra certa - uma das filhas de Margareth?

Eu assenti com a cabeça, a garganta trancada. Por que vim aqui? Ele não é meu pai, não importa o que eu tenha dito, não verdadeiramente. Depois consegui falar o suficiente para responder, a voz quase inaudível - Na verdade a única. A única viva.

- Não estou entendendo. Quem é Margareth? E quem é ela? - O garoto. Meu irmão? Será que ele é parecido comigo? O quanto do que eu sou é genético, o quanto é a manipulação? Eu não devia ter vindo, não devia.

- Olhem, me desculpem, eu só vim porque não sabia mais o que fazer, mas me desculpem - Eu peguei minha mochila, largada nos meus pés quando me sentei, e me levantei.

- Espere - Ele me segurou o braço. - Olha, não é como se eu fosse realmente seu pai. Eu nem sabia que você existia. Margareth só tinha usado nosso DNA para produzir - Ele hesitou novamente, não procurando uma palavra, apenas em dúvida do quanto deveria dizer. - Eu não sabia que ela teve uma filha normal.

Normal. Ele achava que eu era normal, não apenas outro experimento de minha mãe. Eu tentei soltar meu braço, mas ele continuou me segurando, firme. - Deixe-me ir - Eu falei. Meus olhos ameaçando novamente lacrimejar. Droga.

- Você não precisa sair ainda. Ninguém aqui vai entregá-la. Já que veio até aqui, vamos pelo menos conversar.

- Deixe-a ir - a voz da mulher. Eu não olhei para ela, mantive os olhos no chão.

- Ela é minha irmã? - O garoto. Fiquei feliz em apenas ouvir isto. Quando criança eu sonhava em ter um irmão, um irmão normal, não como minhas irmãs. Um calafrio me percorreu ao me lembrar delas.

- Silvia, por favor, leve Pedro para o quarto. Eu quero falar a sós com, como é mesmo seu nome?

- Mary. - A mulher sai levando o garoto. Achei que ela iria protestar.

- Sente-se de novo, e vamos conversar, está bem.

Eu me sentei, e naturalmente as perguntas começaram. Felizmente eu sabia as respostas, mesmo as que eu não deveria saber. Algumas não eram o que ele imaginava ouvir.

Ele ouviu mais do que falou, e quando dei por mim, havia revelado mais do que pretendia. Ao final eu estava chorando.

Ele então falou. Tentando se justificar, talvez? Se sentia culpado?

- Margareth e eu queríamos ter filhos, isto foi há quase trinta anos. Era o auge das experiências com neurônios melhorados. Já era comum crianças com 5% ou mais deles, para tratamento de doenças, sem nenhuma alteração cognitiva. Estávamos certos que funcionaria. Que poderíamos ter filhos com 100% dos neurônios otimizados. Havia simulações completas em computador que garantiam que nada daria errado.

Ele respirou fundo, e continuou - Foi por isto que nos separamos, porque ela queria continuar os experimentos, gerar novas crianças, até descobrir o que deu errado. Simplesmente descartar os autistas e psicopatas, e continuar tentando.

- Eles continuam até hoje - eu falei, em voz baixa. - Estão mais perto de fazer funcionar.

- E, no entanto, você está me dizendo que ela usou nosso DNA em você. Que depois de todos os experimentos, ela resolver gerar uma criança normal.

Eu tentei rir, mas o som que saiu de minha garganta não pareceu em nada uma risada.

- Normal, papai? - eu forço a palavra. Uma provocação? O que deu em mim? - Eu sou só mais um dos experimentos de Margareth.

* * *

O escritório virtual de Vincent, na corporação GenSynth, era todo branco, com poucos adornos, uma mesa e duas cadeiras mapeadas. Uma mulher estava sentada em uma delas, enquanto ele estava de pé, ao lado da mesa.

- Ela disse ser filha de Benjamim. - A voz da mulher perfeita demais para ser natural.

- Mary. A navegadora da Corporação Wu. Não a vimos na rede há dias. Devem estar procurando por ela.

- O que devo fazer?

- Nada, por enquanto. Não queremos fazer nada que comprometa sua posição. Apenas mantenha contato. - Com um gesto, Vincent cortou a conexão, e a mulher desapareceu.

Ele ficou em silêncio, imóvel, por mais alguns minutos, apenas planejando seu próximo passo. Depois, voltou a seu trabalho.

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