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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Linguagem de Máquina 7/8

   Rubens dividia todo seu tempo livre entre dois mistérios. Durante o dia, ele tentava descobrir que tipo de sistema estava ajudando a desenvolver. A noite, ele buscava uma forma de acessar a Internet diretamente. Ele tinha certeza que tudo que acessava era de alguma forma manipulado. Provavelmente, desde que ele foi mantido isolado nesta casa.
   Havia um terceiro mistério que ele havia desistido de resolver, pelo menos por enquanto: quem era Vanessa. Fazia uma semana desde que ela havia tido uma convulsão, quando ele perguntou sobre sua família, e só agora ela parecia estar voltando ao normal, pelo menos ao normal que ele estava acostumado a esperar dela.
   Felizmente, Rubens estava conseguindo algum progresso nas outras frentes. Em especial, agora ele tinha acesso a ambientes de simulação para testar o sistema, o que queria dizer que ele também conseguia entender o que estava sendo simulado. Como desconfiava, ele estava ajudando a desenvolver uma rede neural, só que não tinha ideia de quão sofisticada ela era até testá-la pela primeira vez.
   - Meu nome é João Silva - havia lhe respondido a primeira simulação. Nada que lhe chamasse a atenção, mas cada resposta vinha com detalhes mais e mais ricos - eu sou um funcionário público. Trabalho como administrador de redes - ele levou quase duas dezenas de perguntas até conseguir fazer a simulação começar a apresentar falhas nas respostas.
   A simulação atual era a terceira em sete dias, cada uma mais perfeita que a anterior, só que todas sempre apresentando o mesmo problema. Quando ele começa a fazer perguntas mais pessoais, que só um ser humano saberia responder, todas elas entravam em algum tipo de loop. Era exatamente a visualização do problema que ele havia percebido.
   - Não sei mais o que fazer - ele falou alto, a voz alterada pela frustração. Na verdade, foi apenas um desabafo, que ele não espera que fosse respondido.
   - Você está no caminho certo - veio a voz do alto-falante - os sintomas de perda de referência estão ficando menores e mais espaçados.
   - Eu já nem tenho certeza do que estou fazendo. Por que é tão importante que a simulação se pareça um ser humano nos mínimos detalhes? Ela já parece tão inteligente quanto uma pessoa, exceto quando a conversa se torna muito pessoal.
   - A simulação deve ser capaz de reagir como um ser humano em todas as situações de uma conversa real - foi a resposta.
   "Um espião". Um dos mistérios subitamente começou a fazer sentido. "Eles não estão apenas construindo uma rede neural que pense parecido com um ser humano, eles estão querendo algo que possa se passar por um ser humano de verdade". Certamente o governo americano poderia pensar em um cem número de utilidades para um sistema destes.
   Rubens trabalhou mais algumas horas no problema, parando apenas para comer e conversar um pouco com Vanessa. Sob certos aspectos, conversar com ela era tão frustante quanto conversar com as simulações.
   A noite, Rubens se voltou para seu segundo mistério. Como acessar a Internet e descobrir o que estava acontecendo no mundo de fora, sem que a informação passasse por nenhum filtro.
   No primeiro dia, Rubens havia se concentrado em acessar informações em vídeo. Por mais avançado que o governo americano fosse - ele não tinha mais a menor dúvida de que era quem estava por trás de tudo - eles não poderiam alterar todos os vídeos e noticiários da internet. No máximo conseguiriam bloqueá-los, mas alterar imagens e sons de pessoas falando em tempo real era algo muito além de qualquer tecnologia existente.
   Nos últimos dias ele começava a acreditar que era exatamente isto que estava acontecendo. Não havia como provar, mas era apenas uma sensação. Ele tinha um sentimento que o que passava na Internet não era real.
   No terceiro dia ele desconectou completamente um dos terminais da Internet, e passou os dias seguintes montando um sistema de criptografia. Quando estivesse pronto, ele ia tentar reconectar na rede e acessar um site de notícias. Se não fosse bloqueado, ele ia ter acesso direto a informação original do site.
   Amanhã, ele disse para si mesmo, amanhã eu vou o que está acontecendo lá fora, e o que estão escondendo de mim.
   Mas foi no meio da noite mesmo que ele acordou, no meio de um sonho. "Não é o governo americano", ele pensou, os olhos arregalados, a respiração ofegante, enquanto se sentava subitamente na cama, "não é nenhum governo. Deus do céu, eu sei quem está por trás disto".

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