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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Vidente e os Três Príncipes

O velho rei viajante agonizava, prestes a iniciar sua derradeira jornada. Três Príncipes aguardavam, em vigília, a notícia de sua morte.

Melkin, o traidor, filho da doce Brunilde, rainha no exílio do reino de Terth, aguardava a chance de se tornar rei, reunir um exército e conquistar para sua mãe o trono que pertencera a seu avô.

Ledrik matador de menestréis, filho da lendária guerreira Dythra, estava disposto a duelar com qualquer de seus meio-irmãos, e se considerava o mais apto a governar o reino.

Rul, o trapaceiro, não tinha nem perfil, nem inclinação para governar. Preferia passar seu tempo em tabernas, bebendo e jogando.

Três príncipes. Um reino. Cada um de uma mãe diferente, cada um vindo de uma cidade. Todos nascidos na noite do mesmo dia, todos dizendo ser o primogênito.

"Sábio, chame o vidente Alghur", o rei disse, de repente, no meio da noite. Da última noite. Sua mão, ainda forte mesmo nesta hora, segurando o braço de seu Sábio, que aguardava sozinho ao lado de sua cama.

"Meu rei, Alghur vê o futuro, mas o futuro que Alghur vê nunca pode ser mudado e sempre se torna realidade. Não é uma boa idéia chamá-lo".

"Ainda não estou morto, Sábio. Ainda sou rei. Chame Alghur", a voz do rei sempre foi rouca, desde que uma espada quase cortou sua cabeça, mas sempre foi carregada de autoridade.

"Sim, milorde".

"E traga-me também meus filhos, os três príncipes inúteis".

E assim foi feito. Ainda antes do nascer do sol, Alghur, o vidente, e os três príncipes, estavam no quarto do grande rei, aguardando suas palavras.

"Alghur, eu quero que olhe e diga o futuro de cada um de meus filhos. Certamente, em apenas um você verá uma coroa. Os outros dois terão que aceitar e não terão porque lutar pelo meu reino, pois o que dizes sempre se torna realidade".

"Milorde, é verdade que o que eu vejo sempre se torna real, mas eu não posso escolher a visão que me será mostrada."

"Apenas faça, feiticeiro. Do contrário estes tolos destruirão meu reino após minha morte".

Alghur olhou para Melkin e disse: "Eu vejo você caído no chão, morto, apunhalado a traição por sangue de seu sangue. Você veste as mesmas roupas que está agora, creio que será ainda está noite."

Alghur olhou para Ledrik e disse: "Eu vejo uma mão soprando veneno em seu rosto, o veneno mortal do pólen de Lathus."

Alghur olhou para Rul e disse: "Eu vejo quatro caixões. Um para seu pai e um para cada um de seus irmãos. Eu vejo você no quarto caixão".

Alghur olhou para o rei e disse: "Eu sinto muito, meu rei, mas parece que nenhum dos príncipes herdará seu reinado".

O rei olhou para Alghur, todas as suas esperanças desfeitas pelas cruéis palavras. Ele tentou falar algo, mas suas forças lhe faltaram, como se as palavras de Alghur fossem como facas trespassando seu coração. Ele ainda segurou o braço de seu Sábio uma última vez e, então, finalmente sua força o abandonou.

"O rei está morto". O Sábio disse, encostando a mão no pescoço do rei, tentando sentir alguma pulsação.

"E os príncipes em breve o seguirão", disse Alghur, em voz baixa.

"Não se seu feitiço for quebrado com sua morte, feiticeiro", bradou Ledrik. Então sacou sua espada e atravessou o corpo de Alghur com ela.

Alghur olhou para Ledrik, guspiu sangue, levantou sua mão, e disse: "tolo, nunca lhe disseram que o veneno de Lathus é a arma dos videntes". Então ele abriu sua mão e soprou um pó. E morreu.

E com ele morreu Ledrik, matador de menestréis, assim conhecido porque um dia matou o menestrel que roubou o coração da mulher que ele desejava. Ledrik, que desde este dia fatídico passaria a ser chamado de Ledrik matador de videntes.

"O que vamos fazer?", Rul disse, virando-se para seu meio-irmão Melkin.

"Afaste-se", disse Melkin, recuando e sacando também sua espada. "Não pense que não ouvi as palavras do vidente. Não vou lhe dar oportunidade de me apunhalar". E Melkin então se virou e saiu correndo pela porta.

"Todos vocês morrerão esta noite", disse o Sábio, olhando para os mortos, e depois para o único outro homem vivo que restou no quarto, Rul. "Eu disse ao rei para não trazer o vidente. Sinto muito, meu bom Rul". Lágrimas corriam pelo seu rosto.

"Ninguém escapa do destino profetizado por Alghur", disse Rul, também olhando para os mortos. "Se o meu é acompanhar minha família nesta última jornada, que assim seja". E nada mais falou.

E assim foi, que o amanhecer foi marcado pelas badaladas do sino, anunciado a morte de um rei e três príncipes.

Brunilde, a doce Brunilde, que enlouqueceu no exílio, vivendo apenas pelo sonho de um dia recuperar seu trono, foi encontrada no estábulo, ainda segurando uma faca ensanguentada em sua mão. A seus pés, jazia seu filho, Melkin, o traidor, assim chamado porque traíra os votos de devoção a seu Deus para resgatar sua mãe. Deste dia em dia, foi conhecido como Melkin, o traído. Brunilde apenas repetia, incessantemente, que seu filho lhe prometera seu reino de volta, e que agora queria fugir e levá-la para um novo exílio.

Todos os nobres da corte foram ao enterro, e acompanharam o transporte de cada um dos quatro caixões. Um a um, o rei e seus príncipes seriam guardados na cripta real.

O Rei Viajante. Ledrik matador de videntes. Melkin, o traído. Rul, o trapaceiro.

Um a um, foram colocados na cripta, para seus restos mortais descansarem em meio a seus antepassados.

Os ossos do Rei Viajante passariam a eternidade junto com o dos antigos reis.

Os ossos de Ledrik seriam, muitos meses depois, roubados pela mulher que ele um dia amou, e jogados aos cães.

Os ossos de Melkin seriam, longos anos depois, transportados para Terth, para descansarem junto com os de sua mãe.

Os ossos de Rul acompanharam o restante de seu corpo, na noite daquele dia, quando ele se levantou e partiu para viver novas aventuras.

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